20 de maio de 2026

Vício das drogas: Franca recebe 30 pedidos de internação por mês


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Foto de arquivo mostra pacientes do Narev; de cada dez, apenas três conseguem concluir o processo

O drama de quem convive com usuários de drogas ou álcool é cada vez maior. Desesperados com o problema e sem saber o que fazer, viciados pedem socorro como única alternativa em busca de cura. Há casos em que a própria família recorre ao município em busca de uma solução ou orientação. Todo mês, a Secretaria Municipal de Saúde de Franca recebe, em média, 30 pedidos de internação de usuários de drogas, principalmente de crack e álcool. São pessoas que não conseguiram se livrar do vício sozinhas e procuram ajuda especializada. Entre os pacientes, 85% são homens e 15% são mulheres.

Ao entrar com o pedido de internação, a pessoa passa por uma avaliação completa. “Ela é avaliada por um psicólogo, enfermeiro e ainda por um médico psiquiatra. São feitos todos os exames obrigatórios para verificar seu estado mental, se há comorbidades (duplo diagnóstico) importantes e verificar se deve ser encaminhado a uma comunidade terapêutica. Estando tudo pronto, é enviado para tratamento”, disse a secretária de Saúde de Franca, Rosane Moscardini Alonso.

Se o pedido é feito pela família sem o consentimento do usuário, o procedimento é um pouco mais complicado. Neste caso, um familiar assina um documento autorizando todo o procedimento e há a internação involuntária que, segundo a secretária de Saúde, é rara. “Neste caso, é necessário avaliação do médico psiquiatra. Após a internação, avisamos o Ministério Público em até 72 horas sobre a internação.”

A internação compulsória acontece, em geral, quando a família contrata um advogado e entra com pedido judicial, o juiz pede uma avaliação médica (psiquiatra). “Se o laudo médico indicar internação, o juiz determina ou não a internação.”

Os pacientes que entram em crise são encaminhados para o Pronto-Socorro na Urgência Psiquiátrica. O tempo de internação pode chegar a três dias. Se o quadro não melhorar, é feito o encaminhamento para o Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”.

Após a avaliação minuciosa, os pacientes são encaminhados para comunidades como Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino), Amamasc, que atende apenas homens e ainda Narev (Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida) voltada apenas para o público masculino.

Dependendo do estado do paciente, ele é encaminhado direto para o “Allan Kardec”. “Atualmente, o município conta com 15 leitos femininos em comunidades terapêuticas e 20 leitos masculinos. No hospital, o contratado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) são de 200 leitos”, disse a secretária.

O atendimento é realizado ainda pelo Capsad (Centro de Atenção Psicossocial para Tratamento de Álcool e outras Drogas), onde a permanência é apenas durante o dia. Para manter a parceria, a secretária afirma que o município repassa R$ 800 mensais por paciente para as comunidades terapêuticas e R$ 1.200 mês/paciente para o “Alan Kardec”, sendo custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O tempo de tratamento é estipulado pela instituição para onde o paciente é levado, dependendo do projeto terapêutico individual elaborado, podendo variar de seis a nove meses nas comunidades. “Já no Hospital ‘Allan Kardec’ o tempo de desintoxicação dura, em média, dez dias”, disse a secretária.