A educação brasileira, de forma geral, é muito ruim em termos de qualidade, algo que pode ser comprovado pelos péssimos resultados que nossos estudantes vêm apresentando em vários exames nacionais e internacionais dos quais participam. Apesar de ter melhorado nos aspectos quantitativos, ampliando o acesso das camadas de mais baixa renda a todos os níveis de ensino, ainda continua patinando apenas nos números, sem conseguir dar a eles um ‘brilho’ mais consistente.
Para um olhar mais desatento, essa falta de qualidade poderia ser explicada pela falta de investimentos governamentais. Mas isso seria apenas uma meia verdade, pois se historicamente esse descaso com a educação foi sempre uma sonora verdade, a partir das últimas décadas do século XX o vetor de investimentos mudou sua direção.
Em pouco menos de 30 anos o país colocou quase 100% de suas crianças na escola, aumentou o número de jovens no ensino médio e praticamente dobrou o de estudantes entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior. Se em termos absolutos algumas dessas conquistas ainda são muito tímidas, não se pode negar o avanço experimentado.
O problema, porém, é que o avanço poderia ter sido maior se os investimentos fossem planejados de forma mais adequada. Ao olharmos para o passado recente, vamos perceber várias tentativas de se equiparem as escolas públicas com tecnologia de ponta ou de se reciclarem os conhecimentos dos professores que não trouxeram os resultados desejados.
De forma geral, jogou-se muito dinheiro fora nas últimas décadas, mais por modismo do que por necessidade ou adequação. Investimentos em vídeos que foram mal utilizados em sala de aula, em antenas parabólicas que acabaram não servindo para nada, em computadores que ficaram rapidamente sucateados e em treinamentos que os professores só fizeram porque foram obrigados.
E parece que agora mais um desses modismos ameaça invadir nosso sistema de ensino. Matéria publicada por este Comércio na quinta-feira, 17/01, mostrou que o governo vai comprar os vídeos da Khan Academy, uma organização não governamental criada pelo norte-americano Salman Khan, para servirem de apoio ao trabalho dos professores em sala de aula.
O problema, porém, é que esses vídeos não foram produzidos para isso. Segundo seu o próprio criador, eles foram pensados para servirem de apoio aos alunos fora da sala de aula, permitindo que cada um aprenda dentro de seu próprio ritmo de estudo.
Mais uma vez, parece que o Ministério da Educação está sendo mais realista que o rei. Investe em algo de forma tortuosa, contrariando a própria essência do produto consumido, o que deverá trazer apenas mais uma decepção para toda a sociedade.
O certo seria pensar no mais simples. Investir na escola e no professor. Mas, infelizmente, o mais simples nem sempre é o mais fácil quando se pensa em política.