Se quer saber se é poeta
É só fazer um barquinho de papel
E esperar a chuva
Quando ela vier
Coloque o barquinho na enxurrada
E me conte o que vê
Se vê o barquinho de papel
Indo embora na enxurrada
Talvez não seja poeta
Se vê o barquinho e pensa
Quanto de chuva precisa
Para que ele naufrague
Pode ser cientista
Mas se pode ver através do barco
A arte deslizando...
Ou se consegue se sentir tão pequeno
Para viver a alegria de navegar...
Ou se vê o cheiro da chuva...
Ou respira um gosto molhado...
Então é poeta
E pode revelar
O discurso escondido
Na simplicidade