20 de março de 2026

‘Canjão’


| Tempo de leitura: 5 min

Melhor idade? Faça-me o favor! Ou melhor, não me faça rir.

Ter medo constante de cair a qualquer momento e quebrar algum osso? Ver a pele virar papel celofane, ficar manchada? Sentar no chão e gemer para levantar como se tivesse chumbo nas pernas e colo? Perceber que está a cara da mãe – ou da avó – e o pior, repetindo gestos de amuo, resmungos, comportamento, preferências, manias e chatices? Melhor idade? Faça-me o favor.

A lista de perdas – físicas e imateriais – que o sujeito acumula com o passar do tempo é grande: a tonicidade da pele, volume dos cabelos, peso, luz dos olhos, o contorno do rosto, coragem, ousadia, ânimo, pique para enfrentar situações novas... e a transformação da memória. Parece brincadeira, mas de uma hora para outra bate o cansaço, o sujeito consegue se lembrar de coisas passadas – há muito passadas – mas não se tomou o remédio para a pressão de manhã.

Por falar em tomar remédio, o elenco farmacêutico é de doer. Doer o bolso e desafiar qualquer logística: remédio quando acorda, no meio da manhã, no almoço, no meio da tarde, no jantar, na hora de dormir. E, algumas vezes, pouco antes de dormir, para poder – bem – para poder fazer o que os jovens fazem sem precisar tomar remédio. Haja caixinha para guardar tanto comprimido! De uso, posse e exercício desses conhecimentos desagradáveis sobre o processo de envelhecimento, sem qualquer paixão ou técnica para dourar a pílula, dá para contabilizar os ganhos, que são a recompensa que a vida dá àqueles que conseguem ‘dobrar o cabo da boa esperança’, expressão antiga que significava idade matusalêmica. Dá para fazer a lista dos ganhos. Que não são poucos. Felizmente.

Antes, partamos do princípio que é ridículo tanto aquele que quer parecer jovem quando é maduro quanto aquele que é jovem e que não quer crescer: ‘isso não é do meu tempo’, ‘eu nem havia nascido’ são expressões bandeirosas, que revelam estes últimos. Motivos, entre outros: os dois grupos não percebem que longevidade é privilégio, que somos – indistintamente – protagonistas da história da humanidade, que estamos todos envelhecendo um pouco todos os dias, que os mais velhos têm vantagem de ter chegado a determinada idade que os mais novos, dada a fragilidade da vida, não sabem se chegarão.

Outros ganhos – e agora falo por mim – filhos crescidos, não acordamos à noite. Já trabalhamos o suficiente para agora desfrutarmos tempo e lazer. Podemos assistir Sessão da Tarde sem culpa. Agora a gente sabe o que quer, o que não quer, o que mais gostaria, o que vai deixar de fazer. Já sabemos definir prioridade e o tamanho do passo que podemos dar. Se quisermos, podemos deixar planos para trás, apagá-los e fazer outros, sem dar bola para julgamentos alheios (dos filhos, digo). O pior e triste nessa idade é ser obrigada a fazer exercícios e a usar gorrinho de silicone nas aulas de hidroginástica que minha amiga chama de canjão: ‘aguinha quente, com um monte de galinhas velhas dentro’.

CENSURA
‘Somyot Prueksakasemsuk, editor da revista Voz do Oprimido, foi condenado pela justiça da Tailândia a dez anos de prisão por publicar dois artigos considerados ofensivos contra a monarquia.’ Sábado último corajoso anônimo ligou em minha casa, atendi e a voz (camuflada) afirmou que embora pense que sim, não sou dona da cidade, avisou. ‘Viu, bem?’ O chamado está registrado: há aparelhos para isso.

UM
‘Abreviatura - ato de abrir carro de polícia. Alopatia - dar telefonema para a tia. Barbicha - boteco para gays. Cálice - ordem para ficar calado. Caminhão - estrada muito grande. Catálogo - ato de apanhar coisas rapidamente. Combustão - mulher com peito grande. Destilado - aquilo que não está do lado de lá. Detergente - ato de prender indivíduos suspeitos. Determina - prender uma garota. Esfera - animal feroz amansado. Homossexual - Sabão utilizado para lavar as partes íntimas.’

DOIS
‘Karma - expressão mineira para evitar o pânico. Leilão - qualquer Leila com mais de 2 metros de altura. Locadora - mulher maluca de nome Dora. Obscuro - ‘OB’ na cor preta. Quartzo - partze ou aposentzo de um apartamentzo. Saara - muulher do Jaacó. Sexólogo - sexo apressado. Simpatia - concordância com a irmã da mãe. Típica - o que o mosquito te faz. Unção - erro de concordância, o correto seria ‘um é’. Vatapá - ordem dada por prefeito de cidade esburacada. Volátil - sobrinho mostrando ao tio aonde vai.’ (Internet - Novos Significados das Palavras)

PASTEL
Pastel de queijo assado: 4 xícaras de farinha de trigo. 1 pitada de sal. 1 pitada de açúcar. 1 xícara de óleo. 1 xícara de água morna. Misturar os ingredientes e amassar bem. Abrir a massa com rolo. Cortar no formato que preferir. Colocar o recheio (qualquer queijo em pedaço). Untar a forma. Pincelar os pastéis com gema. Levar ao forno até que dourem por baixo. (Se não ficar bom, a culpa é da Salete Vieira que postou a receita no FB).

OBRAS
O problema do cruzamento das avenidas Ismael Alonso e Major Nicácio será solucionado quando as obras do viaduto terminarem? Veremos. Há divergências. Há quem afirme que a fluidez do tráfego naquele local melhoraria apenas com a otimização do trânsito com a colocação de mais semáforos em pontos estratégicos da vizinhança. Ainda acredito em aplicação de multas (para conter excessos de velocidade e melhorar a qualidade da frota francana) e, principalmente, na educação e conscientização dos motoristas.

Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br