Poucas foram as pessoas que conheci ao longo de minha vida com o perfil do José Alves de Castro, ele que, infelizmente, viajou para o oriente eterno no último dia 18, aos 79 anos de idade. Zé Mineiro, como era conhecido, tinha uma inigualável capacidade de ajudar o próximo, e o fazia de forma suave, serena, fundamentalmente silenciosa.
Cumpria com fidedignidade, a lição preconizada pelo Mestre Maior: faça sem ostentação e sem alardes. Era um amigo leal.
Fazia-se presente em todas as ocasiões, mas, em especial, nos momentos de turbulências vivenciados por seus amigos.
Nas tempestades, Zé Mineiro estava sempre presente com seu guarda-chuva aberto a prestar sua solidariedade e estender mão amiga.
Iniciou a vida profissional como sapateiro. Mesmo evoluindo profissionalmente até se tornar fundador de próspera fábrica de calçados e um dos símbolos da indústria calçadista de Franca, nunca, em nenhum momento, deixou de se revelar como sapateiro na verdadeira e clássica acepção do termo.
Seus funcionários nunca o viram como patrão, mas sim como pai generoso que a todos tratava da mesma maneira, sem qualquer distinção.
Para mim, no entanto, o traço mais marcante dele e que estará sempre presente nas minhas lembranças, era o de seu permanente sorriso nos lábios, indisfarçável alegria de viver que a todos contagiava. O Zé, sem dúvida, ‘teve um caso de amor com a vida’.
Mineiro de Delfinópolis, nunca negou sua origem e suas raízes, tanto que as cultivou no próprio apelido. Porém, adorava a cidade de Franca e toda a sua gente.
Esta cidade perde um grande homem e um empresário destacado. A comunidade maçônica, especialmente a Loja Independência III, um laborioso irmão que galgou ao longo de seus 41 anos de vida maçônica, todos os degraus da ‘Escada de Jacó’.
Ele sempre colocou em prática os nobres princípios da Instituição Milenar, especialmente dos ideais de liberdade, de igualdade e de fraternidade.
Várias vezes foi convidado a ingressar na política partidária. Penso, porém, que ele não tenha atendido aos convites – embora reunisse todos os predicados para fazê-lo –, porque, para ele, a política às vezes leva ao sectarismo, e Zé Mineiro sempre pregou a união.
Marido exemplar, foi casado por mais de sessenta anos com dona Zenaide, companheira inseparável, com quem teve três filhos: Regina, casada com João; Edna, casada com Divaldo; e Totonho; casado com Luciene, atual comandante da empresa da família. Teve 12 netos. O Zé, agora, vai reencontrar grandes amigos que o antecederam na grande viagem.
Ficam seus exemplos e a saudade de alguém que, efetivamente, marcou de forma positiva sua trajetória neste planeta.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca