Segundo seus novos prefeitos, as prefeituras de Itirapuã, Restinga, São José da Bela Vista e Buritizal estão enfrentando vários problemas nesse início de ano. De forma geral, falta dinheiro em caixa para honrar com os compromissos assumidos, boa parte da frota de veículos está sucateada e sem condições de uso, faltam combustíveis e vários outros insumos e as dívidas estão muito acima de suas respectivas capacidades de arrecadação.
Em função disso, os discursos iniciais foram de total pessimismo em relação ao que fazer. Com muito alarde, todos puseram a ‘boca no trombone’, o que repercutiu na mídia e em todos os cantos da região, chegando inclusive a provocar uma reação da polícia, que resolveu pedir a esses prefeitos que relatassem detalhadamente tais problemas para efeito de investigação.
Um caso, no entanto, destacou-se dos demais, servindo como um triste exemplo do tipo de política personalista que ainda se faz nesse país, para desespero dos republicanos e democratas mais esperançosos. É o caso de Restinga. Nele, percebe-se claramente que a questão é mais pessoal do que administrativa ou política, a despeito do estado de descalabro em que possa se encontrar a Prefeitura.
Em encontro um pouco forçado com algumas professoras que protestavam em frente à Prefeitura contra o atraso no salário de dezembro, Paulo Pit, o atual comandante do executivo local, disse que a responsabilidade por esse atraso não era dele, mas do ex-prefeito Donizeti Montagnini, o Zetão (PSC), e que ele só pagaria esse salário quando tivesse dinheiro em caixa. No entanto, garantiu que honraria os salários de ‘sua gestão’. Em que pese o fato dele já ter, felizmente, marcado data para o pagamento dos atrasados, não deixa de ser um episódio que mereça considerações adicionais. A afirmação, apesar de bastante assertiva, causa estranhamento. Se não há dinheiro em caixa para pagar os atrasados de dezembro, por que haveria dinheiro tão rapidamente para pagar já os de janeiro, que estariam sob sua responsabilidade? Além disso, por que não acertar logo esses atrasados e equacionar mais rapidamente o problema desses trabalhadores que precisam do salário para pagar suas contas e tocar suas vidas com um mínimo de dignidade?
Mas, acima de tudo, por que tratar os problemas da Prefeitura como se fossem de Zetão ou Paulo Pit e não de toda a comunidade que lá vive? Afinal, nem as professoras que protestavam nem qualquer outro funcionário da cidade trabalhava ou trabalhará para um desses dois senhores, pelo menos em teoria, já que são funcionários públicos a serviço de toda a cidade, assim como os próprios prefeitos. Assim como a verba disponível não é desse ou daquele prefeito e sim da municipalidade. Mesmo que esteja bem intencionado, o prefeito Paulo Pit errou em encarar as questões da Prefeitura dessa maneira. Felzimente, como já dito, parece que reviu suas considerações e vai resolver o problema. Tudo indica que entendeu (e a constatação serve para qualquer dos eleitos) que quem quer ser prefeito, tem que assumir a Prefeitura como a encontrou, com todas as suas mazelas, procurando consertá-las o mais rápido possível.