08 de julho de 2026

Dívida com a juventude


| Tempo de leitura: 2 min

Não sou no todo adepto à revista Carta Capital, mas devo reconhecer que, acertadamente, em matéria publicada em 5 de janeiro, sobre a realidade da juventude brasileira, foi certeira a denúncia sobre a falta de políticas públicas para a juventude por parte do Estado brasileiro.

Nós que estamos ligados a essa luta por direitos mínimos para a juventude sabemos o quanto é homérica a busca por espaço e reconhecimento no meio dos governos. As questões de juventude são transversais, perpassam uma única área da política governamental.

O jovem é multifacetado, não é composto somente por cultura, por esporte, por educação, por saúde... ele é tudo isto junto com a peculiaridade de estar numa fase decisiva na sua formação. É neste momento da juventude em que grandes e importantes escolhas são feitas, e deveria ser nesse momento que a juventude deveria ter maior atenção do Estado.

O que vemos, entretanto, é que a omissão do poder público inicia-se quando acredita-se que a já deficiente estrutura de saúde, educação e outras áreas serão capazes de suprir as necessidades dos jovens. Pelo contrário, o jovem necessita de atendimento feito aos seus moldes numa linguagem que seja a ele acessível e que (muito importante), advenha de jovem para o próprio jovem. Neste sentido exitosa foi a criação da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e do Conselho Nacional de Juventude (ConJuve) que, com reconhecimento federal, possuem recursos humanos e materiais para promover programas e ações específicas. Ainda há muito o que ser feito, mas neste caso, o primeiro passo foi dado!

Triste, entretanto, é reconhecer que em São Paulo, as políticas públicas de juventude não têm avançado como deveriam.

O esvaziamento da coordenadoria estadual que não tem estrutura humana qualquer para atendimento, que fica centralizada na capital e que trabalha com orçamento que mal consegue manter essa estrutura, é sinal de que o órgão só existe formalmente.

Em Franca, a situação não é diferente. Temos por aqui somente o Conselho Municipal que, digo com propriedade, possui tantas limitações que em determinados momentos me sinto fragilizado em não poder atuar como deveria e gostaria.

A Carta Capital nos disse que os jovens são o grupo mais desprotegido da sociedade brasileira. Feitas algumas ressalvas hei de concordar com o juízo, uma vez que a presença pífia do Estado quer que tenhamos obrigações diversas, mas os meios para que isto se concretize nunca saíram do papel.

Querem que estudemos, mas não nos dão o devido financiamento. Querem que não se pratiquem atos infracionais, mas não fornecem a ocupação e o lazer necessário para que o criminoso adulto não corrompa jovens-mentes incapazes de, sozinhas, se esquivarem dessa maldita coação. Querem que sejamos o futuro da nação mas não investem nesses cidadãos.

A dívida social para com o jovem cresce ano após ano, governo após governo. O jovem necessita urgentemente ser reconhecido como fonte de investimento obrigatório para o futuro, para o bom futuro!

Deny Eduardo Pereira Alves
Presidente do Conselho Municipal da Juventude e estudante da Faculdade de Direito Municipal