08 de julho de 2026

Gravidez na adolescência


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Não há dúvida que o mundo atual está bem mais liberal do que era há algumas décadas. Em razão dessa maior liberdade, o sexo foi aos poucos deixando de ser um tabu para jovens e adolescentes e foi se transformando em algo mais normal e corriqueiro, principalmente para as mulheres que nesse mesmo período vieram protestando contra a dominação masculina e pleiteando uma posição mais igualitária dentro da sociedade.

O problema, no entanto, é que muitos jovens e adolescentes não souberam lidar muito bem com essa dose mais intensa de liberdade, sobretudo no que diz respeito ao sexo. Ao mesmo tempo em que se entregaram tranquilamente ao sexo fácil e sem compromisso, criaram também um problema sério para a sociedade, para suas famílias e para eles mesmos ao conceberem filhos não planejados, seja por descuido, falta de informação ou pura irresponsabilidade.

Nesse sentido, o estudo da Secretaria Estadual de Saúde feito em parceria com a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) veio trazer boa notícia para a cidade. Divulgado na semana passada e publicado por este Comércio na sexta-feira, 11/01, o estudo mostra que o percentual de mães menores de 20 anos na região apresentou uma queda de quase sete pontos percentuais nos últimos 13 anos. Se em 1998, 22,28% dessas jovens engravidaram, em 2011 o número foi de 15,64%.

De certa forma, esses dados mostram que mesmo em face da baixa escolaridade da população regional, da falta de informação que ainda vigora em boa parte dos lares de mais baixa renda e do fato da sexualidade ainda ser um tabu para muitas famílias, o trabalho desenvolvido pelo poder público e pela própria sociedade foi relativamente bem sucedido. Consultas ginecológicas acompanhadas de orientações sexuais, ações educativas nas escolas e a disponibilização de preservativos e anticoncepcionais parecem ter levado a essas jovens e a seus parceiros um pouco mais de conhecimento acerca dos problemas que uma gravidez indesejada pode trazer para o desenvolvimento de suas vidas, para suas famílias e para as próprias crianças.

Esses resultados, obviamente, devem ser comemorados. No entanto, é bom que ninguém abaixe a guarda. A combinação liberdade, juventude, bebidas, drogas e baladas são sempre perigosas e tentadoras para quem a vivencia. A despeito de toda a informação, do diálogo mais constante entre pais e filhos e da disponibilização de preservativos não é difícil para esses jovens caírem na tentação do desejo fácil e imediato, o que pode ser comprovado pelo alto número de gestações de mulheres menores de 20 anos que ainda existe na região, somando um total de 1.346 bebês nascidos vivos, em que pese a redução se comparada ao ano de 1998.

É uma questão de foco e insistência. Perseverar no que está dando certo e corrigir o que está dando errado e buscar novas formas de conscientizar esses jovens.