Uma chácara de pouco mais de um alqueire no Residencial Santa Mônica, na saída para Claraval (MG), é o berço de uma nova comunidade católica em Franca. Radical, a Hodie (Hoje em latim, que significa conversão urgente) prega como um dos seus principais diferenciais a vida comunitária aliada ao trabalho missionário. Três jovens, inclusive, já moram no local: eles deixaram tudo para trás com o objetivo de se dedicar integralmente à oração e evangelização.
Idealizada pelo padre Dalmácio Garcia de Freitas ainda nos tempos de seminarista, a comunidade tem como patrono Santo Expedito e já conta com 70 “seguidores” entre casados e solteiros. No caso das famílias, elas fazem parte de um grupo chamado “aliançado”, no qual os participantes ainda trabalham fora para garantir o sustento de suas famílias, além de ajudar a manter financeiramente a comunidade. A ideia é que, após um período de acompanhamento e formação, que pode durar sete anos, as famílias possam ter as suas casas dentro da comunidade.
“Nossa proposta é viver mais profundamente o Evangelho de Jesus Cristo com suas exigências. A comunidade recebe pessoas que estão predispostas a viver o ideal cristão nesta espiritualidade”, disse o padre, que também mora no local.
As formações acontecem semanalmente e há ainda retiros e seminários e um estatuto a ser seguido com horários para levantar e fazer orações. Os três estreantes da vida em comunidade - dois homens e uma mulher - ainda fazem as refeições juntos e dividem o dia entre estudos e trabalhos domésticos. Vivem do que chamam de “providência divina” ou, em linguagem laica, doações (leia matéria nesta página).
Há também uma rotina com missões assistenciais, como visita a moradores de rua e implantação de cursos gratuitos para crianças carentes, além de outras atividades religiosas, com destaque para os atendimentos individuais, missas e grupo de oração.
O pespontador Ailton Aparecido de Sousa e a mulher Marilza Aparecida Silveira Sousa conhecem a Hodie há pouco mais de um ano e, desde o segundo semestre de 2012, trabalham como caseiros no local. Juntamente com os dois filhos, eles são uma das famílias candidatas a viver nesse novo estilo de vida religiosa. “Nossa vida mudou totalmente depois que conhecemos a comunidade. Temos hoje mais do que almejávamos antes”, disse Marilza. Já Ailton não soube explicar o que o atraiu para a comunidade. “É difícil traduzir em palavras, você precisa sentir. É um chamado.”
A COMUNIDADE
Cercada por uma mata, a área da comunidade Hodie possui atualmente um galpão de mil metros quadrados, uma casa com oito quartos e uma capela dedicada ao padroeiro. Neste ano, a comunidade que tem dois anos de existência, planeja fazer o acabamento dessas construções e erguer uma padaria/lanchonete, banheiros e uma nova capela, dessa vez dedicada à Nossa Senhora Aparecida. “Vivemos das doações dos casais aliançados e dos amigos da comunidade. São diversas pessoas que nos ajudam, sobretudo empresas devotas de Santo Expedito pelo sistema de boletos bancários”, disse o padre.
Também estão nos planos da Hodie construir uma horta e mais futuramente ter uma fábrica de blocos e uma banca de pesponto. Sobre o total investido, o padre disse ainda não ter feito um balanço final. Ele também não estimou quando deverá ser gasto para estruturar toda a comunidade. “A comunidade está sendo construída com a colaboração de muitas pessoas e não existe uma previsão porque vivemos de doações. Depende da generosidade do povo.”