08 de julho de 2026

O casamento de Jesus


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Os meios de comunicação noticiaram, com certa ênfase, a descoberta de um fragmento de papiro no qual, escrito em copta, estava a informação de que Jesus teria sido casado e fazem referências à sua mulher.

Copta, segundo o Novo Aurélio, é uma língua popular do Egito com caracteres gregos e utilizada a partir do século II.

Segundo as mesmas fontes, com vistas à comprovação da autenticidade do achado e seu conteúdo, autoridades científicas procedem a competente análise, sob o compromisso de divulgar o esperado resultado.

Esse pedaço de manuscrito, assim como muitos outros documentos que, com certeza, virão a público com novas descobertas, ajudarão a descrever o que se denomina ‘O Cristo histórico’.

Há muitos estudiosos que ainda não aceitam a existência material do Enviado. Creem tratar-se de uma invenção, e que não teria existido este personagem que dividiu a história da Humanidade.

Para nós, espíritas, não há dúvidas, quer pela força de convencimento dos escritos dos evangelistas Matheus, Marcos, Lucas e João, quer pelo conteúdo da carta que Publius Lentulus, eminente representante do império romano na Galileia, escreveu a Tibério Cesar, descrevendo a fisionomia de Jesus, a quem se referiu como homem virtuoso, que lhe despertara profunda admiração, quer pelas referências do historiador judeu Flávio Josefo, quer, ainda, pelas informações psicográficas de luminares espirituais, mormente Emmanuel que, pela mediunidade de Chico Xavier, nos falou da vida do Mestre Excelso, absorvendo-lhe os ensinamentos.

Quanto a informar o papiro sobre um possível casamento de Jesus, nossa posição é a de aguardar as conclusões dos pesquisadores.

Em primeiro lugar porque o manuscrito é datado do quarto século após Jesus ter vivido na Palestina. Ora, 400 anos depois, os fatos poderiam estar distorcidos.

Ademais, durante tanto tempo, por que ninguém registrou sobre isso qualquer referência?

Forçoso considerar também os depoimentos de testemunhas oculares da vida do Cristo, tais os evangelistas acima mencionados, dos quais dois conviveram pessoalmente com o Mestre, tendo sido seus discípulos.

Assim, Matheus e João não fazem qualquer alusão a possível união conjugal de Jesus.

Paulo de Tarso, o apóstolo da gentilidade, a quem Jesus apareceu no deserto para convidá-lo, ou melhor, intimá-lo como vaso escolhido, para o cumprimento da sua missão, nas 14 cartas que escreveu, endereçadas às igrejas que ajudou a fundar, jamais fez qualquer citação sobre ter tido Jesus uma esposa.

Ter ou não Jesus sido casado não representa qualquer inconveniente social, moral e religioso, mas, a lógica nos recomenda aceitar a ideia de que ele não se casou. Contudo, já que contra fatos não há argumentos, resta aguardar a manifestação da douta comissão encarregada de estudar o assunto.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca