10 de julho de 2026

Nossas Letras: 'Bruta História de Amor (por conta da Flor do Querer)'


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Um dia li numa dessas epidemias de frases “dos outros” que empesteiam as Redes Sociais: “Ataque uma Abelha e ela revidará com a força de um Dragão.”

Diana era uma menininha de seis anos, de terras mediterrâneas, sem mar, sem brinquedos, pelo menos não os tradicionais. Pegava a aquarela, que o pai usava para retratar sua janela em ventos, e usava na cara todas as cores numa maquiagem meio fada, meio fera.

Saul era preguiçoso, tinhas enormes dedos que usava a maior parte do tempo dentro do banheiro, lavando as fraldas do outro irmão pequeno. Curtia uma onda reggae e morria de vontade de ter um rastafári, mas o pai nunca permitiu, assim como nunca permitiu que ele lavasse louças na frente das visitas: isso é coisa de mulher.

Noelia estava ali no meio, puberdando-se para a preocupação da mãe que dividia seu tempo nos cuidados do hijito e no bajo control da pendeja, tudo isso cozinhando, mantendo e limpando, para a chegada do seu homem, que de tão bravo tinha o engraçado apelido de Zatanasponcho (abrigo do diabo).

Ali tudo era úmido, e vegetativo como nos contos do Marquez. Por vezes até pensei se não estaria em Macondo, lendo placas de “carniceria”, “panaderia” e barcos atravessando o rio, que parecia mar.

Eis que a bruta flor do meu querer atravessou o rio a cavalo e buscou a aquarela para pintar as janelas daqui, com a menina sentada na beiradinha, a lua no ombro dizendo em sinais que seria o amor da minha vida.

Saul , hoje casado, tem todos os cuidados com o filho recém -nascido, troca e lava as fraldas todos os dias. Noelia hoje mora em Buenos Aires e dança tango num hotel de luxo e tem todos os homens aos seus pés.

A vieja mama encontra-se na mesma casinha úmida de “Macondo”, onde os mandruvás tomaram conta da trepadeira de maracujá, e as formigas tem templos no quintal. Segue cuidando de su hijito que apesar de ter dezoito anos não sai da frente do computador e se comporta como uma criança.

O pai, em fúria de dragão, segue com o caminhão imponente pelas ruas do mundo, buscando a pessoa que roubou as cores de sua Janela. Ciente da sina de que depois da ferroada, é morte.