07 de julho de 2026

Trânsito, mato e multas


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Não é novidade para ninguém que o mercado imobiliário é quase sempre uma excelente opção de investimento. Para quem tem um montante de dinheiro disponível, comprar terrenos em novos loteamentos pode ser uma boa opção no longo prazo, mesmo que essas pessoas já tenham uma casa para morar, pois conforme os bairros vão se urbanizando o valor do terreno vai subindo em uma proporção muito interessante para quem investiu.

Até aí, tudo bem, faz parte do jogo. No mundo em que vivemos o capital está sempre procurando um lugar seguro para aportar e se reproduzir, gerando rendimentos e preservando o poder de compra daqueles que resolveram arriscar e investir parte de seu patrimônio.

O problema, porém, é que os investimentos no mercado imobiliário requerem certos cuidados. Comprar um terreno, por exemplo, é bem diferente de investir em poupança. Se nesse último investimento basta apenas colocar o dinheiro no banco e ficar fazendo as contas dos juros mensalmente acumulados, no primeiro modelo é necessário um pouco mais de cuidado, já que terrenos, apesar de renderem mais do que cadernetas de poupança, costumam gerar também alguns transtornos em forma de mato, bichos e sujeiras.

Pelo que se vê pela cidade, no entanto, parece que muitos proprietários de terrenos em Franca estão se esquecendo dessa simples responsabilidade. Reportagem publicada por este Comércio na quinta-feira, 10/01, mostra que a Vigilância Sanitária está recebendo uma média diária de oito reclamações. Em 2012, 4.303 proprietários foram notificados.

E não é para menos. Sobretudo nesse período de calor e chuvas constantes, quando o mato se aproveita para crescer mais rápida e intensamente, os vizinhos desses terrenos esquecidos passam a conviver com sujeira, bichos peçonhentos, odores insuportáveis e com mendigos, usuários de drogas e bandidos que se aproveitam do mato alto para infernizar a vida desses trabalhadores.

O problema maior, no entanto, parece estar mais na reação das autoridades a esses abusos do que neles próprios. A mesma reportagem mostra que se uma denúncia de terreno abandonado for constatada, inicia-se um processo em que o proprietário terá, depois de notificado, 20 dias para colocar a situação em ordem. Se isso não ocorrer, ele receberá uma multa de apenas R$ 300,30 e será obrigado a pagar a limpeza realizada pela Prefeitura, que custa apenas R$ 2,75 por metro quadrado.

Sea reação do poder público fosse mais rápida e a multa mais ‘dolorosa’, com juros e valores crescentes conforme a demora do proprietário em resolver a situação, correndo o risco inclusive de perder o terreno, talvez esses problemas nem viessem à tona. A questão, mais uma vez, é bater pesado no bolso. Um soco (multa) rápido, dolorido e certeiro.