08 de julho de 2026

Do lado errado


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Joaquim desceu do muro e defendeu proposta repudiada pela cidade

Joaquim Pereira Ribeiro (PSB) não tentou a reeleição. O veterano político finalizou sua passagem pela Câmara no dia 31 de dezembro. Portanto, não é mais vereador. Não integra a atual legislatura que foi renovada na urna pelos eleitores e que mostra nos primeiros dias de trabalho estar no caminho certo. Na prática, porém, parece que o médico ganhou um mandato extra. E com privilégios exclusivos.

Na terça-feira, o ex-vereador foi à Câmara acompanhar a votação do veto ao projeto que ele havia proposto em novembro passado. É aquele que perdoa uma dívida milionária dos cartorários.

Foi convidado pelo presidente Jépy Pereira (PSDB) para sentar-se à Mesa Diretora, regalia não concedida a outros políticos durante as sessões. Menos mal que ele tenha preferido ficar no lugar reservado ao público.

O projeto foi levado à votação. Não houve discussões. Em apenas um minuto, os vereadores mantiveram o veto de Sidnei Rocha por causa dos “flagrantes e irreparáveis vícios de inconstitucionalidade”. A decisão foi unânime. Todos os vereadores, inclusive Cordeiro e Vergara, que são do mesmo PSB que Joaquim, decidiram que a proposta tinha de ser vetada.

Há quase dez anos, acompanho o dia-a-dia da Câmara. Não me lembro de ter visto algo parecido com o que aconteceu em seguida. Com a votação encerrada, Joaquim desceu do muro, foi à tribuna e fez uma defesa fervorosa da proposta que havia acabado de ser sepultada. Ele falou por 34 minutos sem ser questionado. O tempo máximo para um vereador discutir projetos é 15 minutos.

O ex(?)-vereador usou um projetor para apresentar sua tese, ou melhor, a tese de defesa usada na Justiça pelos donos de cartório.

Aparentemente nervoso, criticou os críticos de sua proposta – leia-se Sidnei Rocha –, a imprensa séria, os fiscais de tributos da Prefeitura, perto de 320 mil habitantes e os 15 novos vereadores, entre eles, os dois do PSB que mantiveram o veto. “Não leram o projeto. Se leram, não entenderam. Não havia perdão de dívida. A desinformação continua. Eu não estava legislando em favor dos cartórios, mas em favor do município.” Todos acreditaram. Após o longo desabafo, Joaquim cumprimentou alguns vereadores e deixou o plenário às pressas.

Para quem não se recorda, segue o lembrete: o veto seria votado na sessão extraordinária do dia 27 de dezembro. Na oportunidade, quando ainda era vereador, Joaquim não se preocupou em fazer a defesa da proposta e pediu o adiamento por dez sessões. Jogou o abacaxi para ser descascado pela atual Câmara. O que foi feito. Ponto final.

ECONOMIA BURRA
A Câmara de Franca gosta de dizer que é uma das mais enxutas do Brasil e faz propaganda do dinheiro que devolve ao município no fim de cada ano. Mas está na hora do presidente Jépy Pereira (PSDB) tirar o escorpião do bolso e dar uma renovada na frota. Para atender os 15 vereadores, o Legislativo tem apenas um Vectra 2007 com cerca de 300 mil quilômetros rodados e um Golzinho emprestado pela Prefeitura. Foi um sufoco para os vereadores conseguirem uma vaga nos carangos para visitar a Couromoda em São Paulo esta semana. Deu até briga para ver quem sentaria no banco da frente.
O orçamento para 2013 é de R$ 8,1 milhões. Não precisa fazer como a Assembleia Legislativa, que está renovando toda a frota com apenas dois anos de uso, mas a compra de um ou dois carros não vai comprometer. E, certamente, evitará problemas futuros, como acidentes.

RADICAL
O vereador Zezinho Cabeleireiro (PPS) apresentou um pacote de reivindicações a Alexandre Ferreira (PSDB) neste começo de mandato. Entre outras solicitações, pediu para que seja construída uma pista de motocross na antiga voçoroca do Jardim do Líbano. “O local é amplo e sua topografia é ideal para a prática deste tipo de esporte, que possui inúmeros frequentadores em nossa cidade. O investimento financeiro é baixo, visto que é necessário somente serviços de terraplanagem.” O prefeito ainda não respondeu.

VAPT, VUPT
Alexandre Ferreira tem sido pontual e rápido nas solenidades convocadas por sua assessoria. O ato de liberação de R$ 21,4 milhões para entidades, há uma semana, começou às 9 horas em ponto e acabou 14 minutos depois. Alguns convidados ainda estavam chegando.

ELA, NO COMANDO
O prefeito de Patrocínio Paulista, Marcos Ferreira (PT), cumprirá compromissos oficiais em São Paulo hoje. Durante a sua ausência, a vice Néria Buzatto, também do PT, vai despachar em seu gabinete na Prefeitura.

NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA...
A Prefeitura recapeou de Franca a São Paulo e acabou faltando material para tapar os buracos do meu bairro.

HOMENAGEM
Bom dia e boa chuva a todos. Não sei dizer quando o busto de Joaquim vai ser instalado na Câmara...

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br