Na última quinta-feira, 10/01, reportagem publicada por este Comércio mostrou que Franca fechou 2012 com uma média de seis multas por hora. Foram 38.974 autuações feitas pela PM, um número 14% maior do que o verificado em 2011, e mais 16.146 colhidas pelos quatro radares espalhados pela cidade, conforme dados fornecidos pela Secretaria de Segurança e Cidadania.
Por esses números, nota-se que todo o trabalho educativo que tenta incutir no motorista francano o conceito de direção defensiva não está fazendo o mínimo efeito. Talvez consiga gerar algum efeito nas gerações futuras, mas isso só poderá ser verificado no futuro, quando as crianças que hoje estão passando por todo um trabalho de educação para o trânsito começarem a dirigir pela cidade.
O que temos até agora, infelizmente, é que o número de acidentes, de vítimas e de multas vem acompanhando o crescimento do número de veículos na cidade, uma situação que conforme o andar da carruagem poderá se complicar ainda mais nos próximos anos, já que a tendência é de aumento na venda de automóveis e motocicletas.
Nesse sentido, resta muito pouco a fazer. Com um trânsito cada vez mais caótico, fica difícil pregar a direção defensiva, a calma e a paciência aos pedestres e aos motoristas. Ao contrário, o que acaba sobressaindo é o clima de guerra e disputa que se impõe pelas ruas, com motoristas nervosos e apressados disputando cada palmo de espaço em ruas e avenidas da cidade.
Como se não bastassem esses problemas de ordem espacial, ainda é preciso considerar os abusos cometidos por jovens e adultos que saem na noite para se divertirem, abusam da ingestão de álcool ou drogas e ainda assim insistem em dirigir pelas vias da cidade, transformando-as em verdadeiras roletas russas para aqueles que nelas se aventuram.
Dentro de todo esse contexto, não há dúvida de que a multa parece ser a única solução possível para esses abusos. No entanto, para serem mais eficazes, essas multas deveriam ser até mais ‘pesadas’ do que são hoje em dia, para além da pontuação que pode privar o motorista da licença de dirigir. Como o bolso é a parte mais sensível do ser humano, talvez atingi-lo seja a única forma ‘pedagógica’ de conscientizar os motoristas sobre suas responsabilidades.
Se as multas começarem a ser mais ‘dolorosas’, aumentando fortemente conforme a reincidência do motorista, tirando-lhe até mais rapidamente o direito de dirigir e responsabilizando-o criminalmente pelos abusos cometidos, aí talvez possamos ter uma redução do número de acidentes em nossa cidade.
O problema, porém, ainda ficaria por conta da fiscalização ineficiente e da lentidão da Justiça em punir os motoristas mais afoitos e apressados. No limite, somente uma punição mais ágil e rigorosa conseguirá deter esses motoristas cada vez mais velozes e furiosos.