10 de julho de 2026

Déficit de vagas nas creches provoca transtornos para mães


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A coladeira Aline Querino cuida da pequena Camilly em casa. Em razão da falta de vaga em creche, mãe precisou deixar o trabalho para ficar com a criança

A via sacra para conseguir uma vaga em creches da rede municipal de Franca tem virado dor de cabeça para muitas mães. Desesperadas, a maioria busca por uma oportunidade em mais de uma unidade e chega a faltar do emprego na tentativa de conseguir um local para o filho ou filha ficar durante o dia.

A operadora de caixa Eliete Ferreira Santos, 27, moradora do Jardim Tropical, é uma das que sofrem com o problema de déficit de vagas. Com duas filhas em idade de creche, ela irá retornar ao trabalho, mas não sabe como ficará a situação das crianças. “Por enquanto elas ficarão com uma tia, mas ela já tem outra criança. Preciso muito das vagas para poder trabalhar tranquila.”

A auxiliar administrativa Meire Lúcia Gomes de Faria, 34, também tem uma menina dentro da faixa etária atendida pelas instituições e não consegue vaga. Ela mora no Residencial Meirelles e aguarda ansiosa pela creche do Jardim Tropical, que está prestes a ser inaugurada (leia texto nesta página). Caso não encontre uma vaga para Ana Clara, precisará pagar uma escolinha por meio período e deixar a criança a outra metade com os irmãos mais velhos que, de manhã, estão na escola.

Com um filho de quatro anos fora da creche, a sapateira Jaqueline Rita de Paula Silva, 34, pensa inclusive em deixar o emprego para poder cuidar de João Pedro. Ela diz que, do ano passado para cá, procurou vaga em quatro instituições diferentes e só recebeu negativas. Jaqueline mora no Jardim Brasilândia e percorreu as unidades da região em busca de uma vaga. “Fiz inscrição, tudo certinho, mas não consigo uma resposta positiva. Não tenho com quem deixar o menino.”

Mãe da pequena Camilly, de um ano e seis meses, a coladeira de peças Aline Alvarenga Quirino, 29, disse que precisou dispensar serviço por não ter onde deixar a criança. Segundo ela, esse é o terceiro ano em busca de uma vaga para a filha. “Estou parada por falta de vaga em creche. Todas que procuro estão superlotadas e não tenho condições de pagar uma escolinha particular”, desabafa.

A mãe chegou, inclusive, a procurar ajuda do Conselho Tutelar para poder resolver o problema. “Eles me deram um encaminhamento, fui até o Colégio Champagnat e ficaram de me ligar, mas até agora nada.”

Segundo a presidente do Conselho Tutelar, Gláucia Limonti, as mães devem esperar até fevereiro quando devem surgir as vagas remanescentes. Se posteriormente não conseguirem uma vaga, devem procurar pelo Conselho. “Desde novembro temos encaminhado os casos para a Secretaria de Educação e pedimos para as mães retornarem em fevereiro se não conseguirem a vaga. A partir daí, encaminharemos para a Defensoria Pública.” Somente em seis meses de 2012, a Justiça concedeu 85 decisões obrigando a Prefeitura a matricular crianças nas creches do município.