A saúde em Franca e em todo o país é realmente um problema. Para justificar essa situação são dadas as mais variadas explicações, quase todas desnecessárias, pois no fundo a questão parece mesmo é girar em torno da falta de vontade política, da má gestão, das poucas verbas disponíveis e, em alguns casos, da falta de bom senso.
O caso da paciente que ficou sem atendimento na UBS do Jardim Aeroporto na semana passada ilustra bem essa situação. Ao tentar uma consulta para a filha no meio da madrugada, a mãe foi informada de que o médico de plantão estava dormindo e não poderia ser incomodado, a não ser em caso de urgência, pois estava em seu período de descanso, que era das 3 às 5 horas da manhã.
A família, obviamente, ficou revoltada. E a lógica dessa revolta deve ter sido muito simples, inclusive, pois se a UBS foi construída para funcionar por 24h, então que ela cumprisse seu horário.
Mas, de acordo com a Secretaria da Saúde do município, a questão não é tão simples assim, nem a lógica tão linear, pois todos os médicos têm direito ao intervalo de descanso e que nesses períodos eles só devem ser chamados se houver um atendimento de urgência.
É sabido que em quase todas as empresas que presam pela qualidade de vida de seus funcionários existe um período para que os mesmos possam relaxar, se alimentar e até mesmo ‘esfriar’ um pouco a cabeça. A questão, porém, é que a despeito da preocupação da Prefeitura com o bem estar do médico, não houve a mesma atenção e preocupação para quem precisasse de atendimento nesse momento de descanso. Uma vez que o médico tem direito ao descanso de duas horas, a prefeitura deveria providenciar um substituto que fizesse o trabalho a que se propôs a UBS.
Da mesma forma que um ônibus ou um avião não param no meio da noite para que os motoristas ou pilotos durmam, forçando os passageiros a esperarem pacientemente em suas poltronas, também a Prefeitura deveria encontrar uma maneira da UBS não parar, como fazem essas companhias de transporte, pois a razão da existência dessa unidade é cuidar da saúde dos cidadãos durante 24h, o que só pode ser feito com a presença de médicos.
Nesse sentido, e a despeito dos problemas relacionados à falta de médicos ou aos baixos salários por eles recebidos, cabe à Prefeitura providenciar atendimento a quem quer que seja que procure a UBS 24 horas em qualquer horario. Caso contrário, que rebatizemos a unidade para um ridículo ‘UBS 22 horas’, que é o atendimento que ela presta atualmente.