08 de julho de 2026

Fim dos tempos


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Na mescla humana de crédulos e incrédulos, bobos e ladinos, quase todos estamos convictos de que a vida é o nosso bem de maior valor. Alardearam o fim do mundo, mas, felizmente, estamos aqui, podendo falar que, mais uma vez falharam as vãs profecias.

O aspecto mais instigante do episódio é que o que preocupou e angustiou tantos foi ótima oportunidade de enriquecimento para poucos.

Como um jogo entre astutos e tolos, comentários de que o mundo iria acabar oportunizaram, em todo mundo, curiosos casos de exploração da ignorância de muitos.

Venda de proteções subterrâneas eram anunciadas e, aqui mesmo no Brasil, um piauiense, com lábia de finório, conseguiu ilaquear a boa fé de muita gente. Só se salvariam aqueles que se juntassem a ele mediante o pagamento de quantia que estipulava.

Jesus, no ‘Sermão profético’, conforme está em Mateus 24, 1 a 28, não falou em fim do mundo, mas, em fim dos tempos. E, ao Lhe perguntarem quando os acontecimentos se dariam, respondeu: ‘isso só o meu Pai sabe.’ Ora, se Jesus, que era ‘um com o Pai’, não sabia prever quando se dariam as transformações, como poderia prevê-las um simples mortal, um qualquer do povo, ainda que profeta ou médium?

Evidentemente que são suposições suscitadas em dados da história, ou ditadas por interpretações dos enunciados do calendário maia, ou, ainda que fossem cantadas por previsões apocalípticas do mais sagrado dos livros, a verdade é que o mundo não acataria a precisão de acabar numa determinada data.

A realidade é bem outra. Determinar quando ocorreria o que devemos chamar, corretamente, de fim dos tempos (e não fim do mundo), significaria prever quando ocorrerá a mudança da natureza prevalente da psicosfera planetária, como que possível nos fosse medir o ritmo do progresso moral da Humanidade a ponto de sabermos quando os injustos se transfeririam para outros mundos, para o cumprimento da advertência de Jesus na expressão ‘os justos herdarão a Terra.’

É notório que está ocorrendo uma transformação em todos os níveis, para que se implante o novo paradigma sob o qual viveremos o chamado mundo de regeneração. Até lá, contudo, muita água vai rolar. Tudo, porém, segundo estiver a conduta humana em harmonia ou desarmonia com as sábias, justas e inderrogáveis Leis Divinas que, por sua vez, se centram no amor. Demais, o Divino Mestre e governador do nosso planeta nos prometera: ‘Estarei convosco até a consumação dos séculos.’

Vê-se, portanto, que jamais haverá motivos para sustos e desespero, mas reiteradas oportunidades de recomeço e continuação, no esforço de cada um, no sentido de autoaprimorar-se e fazer-se efetivamente feliz, cumprimento do desiderato supremo da Lei.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca