08 de julho de 2026

Omitir jamais


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Já paguei altos preços por não saber me calar, por me posicionar e agir sempre, mesmo em situações onde a postura aparentemente mais recomendável seja a de se manter em posição de neutralidade.

É essa, no entanto, minha natureza. Tem sido ao longo da vida esta minha maneira de ser.

Conheço pessoas, algumas até de meu convívio pessoal e profissional, que nunca se posicionam. Preferem ficar ‘em cima do muro’, se omitir para não atritar com nenhum dos lados.

Equivocadamente julgam e esperam que a neutralidade faça com que elas não se comprometam com ninguém. Estão sempre em uma zona de conforto.

Afirmo, categoricamente, que ao contrário do que imaginam, estão descontentando a todos.

Condeno com mais veemência, em alguns casos, a omissão do que a própria ação, ainda que a posição assumida não venha a se revelar, no futuro, como sendo a mais acertada e a mais adequada para aquele momento, até porque o omisso sempre correrá o risco dos outros decidirem por ele.

Reconheço que em algumas situações não devemos ser açodados, já que o mais acertado é não se pronunciar até que se tenha uma opinião concreta formada.

É melhor deduzir do que intuir, ou seja, decidir a partir da análise dos fatos, ao contrário de se posicionar a partir de uma conclusão intuitiva e, só então, buscar encontrar elementos para justificar a escolha feita.

Quem age apenas pela intuição passa a defender uma posição, ainda que não seja a ideal.

Portanto, não há dúvida que o método dedutivo parece ser o mais adequado, pois se revela bem mais racional e menos emocional.

Também não se deve confundir prudência com omissão. O prudente posiciona-se na hora certa. O omisso não se posiciona nunca. A prudência exterioriza sabedoria e firmeza de caráter. A omissão fraqueza e insegurança.

Efetivamente não é fácil conviver com pessoas indecisas. Elas geralmente exteriorizam insegurança que acaba contaminando a todos.

Uma das principais características de um verdadeiro líder é demonstrar a seus liderados, sempre, poder de decisão, ou seja, capacidade de se posicionar em todos os momentos, além de saber lidar com eficiência com o ego e a vaidade dos comandados.

Assim, neste ano que se inicia, coloquemos como projeto de vida a paciência e a prudência, mas também e principalmente, se for o caso, assumir riscos e ‘descer do muro’ pelo lado que julgarmos mais adequado, colhendo os frutos positivos ou negativos da escolha feita, mas, jamais, se omitir.

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.