09 de julho de 2026

Aposentados na ativa


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Dados do Censo 2010 mostram que um em cada quatro trabalhadores francanos continuam na ativa após se aposentarem. Dos 40.245 aposentados ou pensionistas cadastrados na cidade, 10.329 continuam trabalhando, uma realidade bastante distinta daquela vivenciada em um passado não muito distante.

Esses números, no entanto, podem ser interpretados de diferentes maneiras. Por um lado, há que se comemorar a melhora na qualidade do envelhecimento da população. Graças ao desenvolvimento tecnológico que propiciou uma forte evolução da medicina e por conta da assimilação de hábitos mais saudáveis de vida muitas pessoas começaram a chegar aos 60 ou 70 anos com muita disposição e saúde para continuar no mercado.

Sem dúvida nenhuma, essa situação apresenta uma verdadeira conquista para a cidade e também para o país. De forma geral, mostra que o envelhecimento tornou-se mais jovial. Idosos que antes poderiam ser considerados ultrapassados ou inaptos para o trabalho estão conseguindo se manter na ativa diante das novas gerações que se apresentam cada vez mais cedo ao mundo do trabalho.

No entanto, há que se olhar também para um outro lado dessa questão. Muitos desses aposentados, mesmo que quisessem, não conseguiriam manter o mesmo nível de vida se apenas se aposentassem, pois a renda de um trabalhador sempre diminui quando ele se aposenta, uma realidade que vem se confirmando cada vez mais com o envelhecimento da população.

Se para os mais ricos foram criadas alternativas de aposentadorias privadas, para os mais pobres elas ainda são uma promessa distante. Como os sistemas públicos não conseguem arcar com tantos aposentados, as classes de mais baixa renda são praticamente obrigadas a continuar trabalhando até quando aguentarem, às vezes para manter o nível de vida, outras vezes para contribuir com a família para a criação de filhos e netos.

Essa realidade, apesar de mais grave em países pobres ou em desenvolvimento, também está perpassando os idosos em países que tradicionalmente lhes proporcionavam uma excelente qualidade de vida na velhice.

De forma geral, esse é um problema de Franca e também de todo o planeta. O envelhecimento da população, mesmo que acompanhado com uma melhora na qualidade de vida desse envelhecimento, não exime o Estado de se preocupar com o que pode acontecer em um mundo com poucos jovens produtivos e muitos idosos dependentes, porque a boa saúde não deverá durar para sempre e chegará um momento em que esses aposentados hoje na ativa também terão que viver apenas de suas aposentadorias, com gastos ainda mais volumosos para se manterem vivos e com dignidade, o que poderá agravar ainda mais a saúde já abalada das contas públicas.

Esse talvez seja um dos maiores desafios para a humanidade no médio e longo prazo, mas que precisa ser pensado a partir de agora.