A educação brasileira nunca foi um primor, nem sequer razoável, se considerarmos a sua história e fizermos uma espécie de média nacional de sua efetiva concretização. Talvez não seja exagero afirmar que depois dos jesuítas o Brasil ficou mais de 100 anos sem um sistema educacional coeso e integrado, algo que só foi parcialmente alcançado nas primeiras décadas do século XX e definitivamente montado no final desse mesmo período.
Enquanto os EUA e vários países europeus colocaram suas crianças na escola pública ainda no final do século XVIII, o Brasil só conseguiu tal intento cerca de 200 anos depois, a despeito das várias tentativas que se perderam ao longo desse período.
Dentro de todo esse contexto, não é nenhuma surpresa que o sistema de ensino brasileiro tenha se edificado sob um terreno de bases frágeis, tendo como parâmetro um ensino dualizado que aos ricos destinou qualidade e a alguns pobres, quando muito, reservou um ensino tecnicizante que pouco lhes serviu para inseri-los no todo social.
E parece que Franca herdou justamente a parte mais pobre dessa dualidade. Matéria publicada por este Comércio na terça-feira, 25/12, mostra que a cidade está entre os três piores municípios do Estado em termos de instrução de seus adultos. Em um ranking de 22 cidades com mais de 300 mil habitantes, ocupamos a modesta 19ª posição, à frente apenas de Itaquaquecetuba e Carapicuiba, ambas na região metropolitana de São Paulo.
Segundo dados do IBGE, quatro em cada dez adultos com 25 anos de idade ou mais não completaram o ensino fundamental e cerca de 81mil francanos não terminaram seus estudos, um número que corresponde a 42% das pessoas com 25 anos ou mais.
As explicações, sempre retroativas, permeiam um vasto leque de desculpas que esbarram em questões socioculturais do país e da região. Em relação à primeira é possível apontar o machismo que historicamente tirou da mulher o direito à educação, já que elas não precisariam de estudo para cuidar dos filhos e do lar. No que diz respeito à segunda, é possível afirmar que a economia rural que durante décadas predominou em Franca e em todas as cidades que para cá enviaram seus migrantes não deu muitas chances às crianças que hoje se transformaram nesses adultos sem estudo.
Mas essas realidades não bastam para explicar todo esse cenário. Apesar de oportunas e significativas, não conseguem esconder o descaso a que foi relegada a educação do povo brasileiro, uma vez que ela não era necessária para a formação de uma mão de obra braçal destinada à lavoura, seja em Franca, no Estado ou em todo o país.
A questão agora é decidir o que fazer para reverter essa situação, uma decisão que cabe às autoridades, aos empresários e a toda a sociedade, pois já passou da hora de agir.