10 de julho de 2026

Traficantes de drogas em Franca perdem R$ 3,3 milhões em um ano


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Investigadores da Dise recolhem droga escondida em telhado de casa no Jardim Flórida, em 22 de dezembro

Mais de R$ 3,3 milhões (ou exatos R$ 3,396 mi) foram “perdidos” pelos traficantes de drogas de Franca neste ano graças às ações da polícia. O número corresponde à apreensão de 510 kg de droga, divididos entre maconha, cocaína e crack, e não inclui a apreensão de 161 kg de maconha na rodovia Fábio Talarico no último dia do ano por policiais rodoviários de Barretos, com apoio da polícia de Franca. Os dados foram divulgados pelo delegado titular da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), Djalma Donizete Batista. A Dise é responsável pela pesagem, armazenamento e descarte de substâncias alucinógenas ilícitas recolhidas em apreensões feitas pela Polícia Militar e Civil.

Considerando o preço médio praticado pelos criminosos nas ruas da cidade, o montante daria para construir duas creches iguais às que estão sendo feitas pela Prefeitura na Vila Santa Terezinha. “Tem cocaína que vale R$ 10 [um grama], maconha e crack que valem R$ 5 e por aí vai. Se fizermos uma média de uma droga pela outra, dá para perceber porque esse é um negócio milionário”, disse o delegado. Em 2011, a mesma delegacia contabilizou a apreensão de 564 quilos de drogas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a receita advinda do tráfico de drogas serve muitas vezes para financiar instituições criminosas. Em março deste ano, um computador apreendido na região de Limeira (a 255 km de Franca) revelou às autoridades que a venda de entorpecentes no interior paulista rendeu, em média, R$ 1,1 milhão ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

A quantidade de droga apreendida e o cerco feito aos traficantes de entorpecentes em 2012 são festejados com parcimônia pela delegacia especializada de Franca. “Cercar isso é muito difícil. O que fazemos é uma investigação ponto a ponto a partir de denúncias feitas pela própria comunidade”, afirmou o delegado. Muitas vezes, diz ele, essas investigações levam semanas e todo trabalho feito pelos agentes visa prender o traficante em flagrante, ou seja, no momento em que ele está vendendo a droga para o usuário.

O trabalho junto às pessoas que consomem drogas ilícitas é encarado pelo delegado como um complemento fundamental para “limpar” as ruas da cidade. Na opinião de Batista, o trabalho da polícia fica comprometido quando as políticas públicas falham no tratamento médico e social dispensado ao usuário. “Acho que nem Jesus Cristo acaba com o usuário. Eu costumo dizer que o problema do tráfico de drogas hoje é mais uma questão educacional e de saúde, do que de polícia. Enquanto não houver tratamento adequado para o consumidor nunca iremos acabar com o tráfico. Só existe o traficante, porque existe o bobo que compra.”

CASOS
Um quinto de toda a droga apreendida em 2012 foi recolhido em apenas duas operações realizadas em dezembro pela Polícia Militar e pela Dise. Em um intervalo de 10 dias, foram achados 103 quilos de maconha.

No dia 12, no Jardim Martins, através de uma denúncia anônima de vizinhos, a PM encontrou 73 kg de maconha escondida na casa de um adolescente de 16 anos. A quantidade de droga era tamanha que foram necessárias três viaturas para transportar todo o material.

Já no dia 22, no Jardim Flórida, a equipe da Dise prendeu em flagrante um rapaz de 18 anos. Com ele foram apreendidos 30 quilos de maconha, uma pedra de haxixe, uma balança e embalagens de filme PVC para empacotar a droga. Todo o material estava escondido em três sacos no telhado da casa onde ele morava com a família.