Diante da incômoda crise de autoridade que afeta o mundo atual, é pertinente a indagação: ‘quando perdemos a influência sobre as gerações que nos sucedem?’. Primeiramente, há que se considerar que autoridade inexiste onde se exerce autoritarismo, em que se traduz a ausência de humildade ao impormos nossas ideias. Impomos pela força aquilo que supomos ser correto.
Depois, falhamos, quando elegemos o consumismo como único objetivo da vida e razão da felicidade. Sacrificamos valores efetivos, para eleger equívocos existenciais.
Não nos importa o que consumimos. Fazemos parte da tribo, estamos na onda e eis que somos submissos ao imediatismo da satisfação.
Utilidade e necessidade nos soam referências obsoletas. Interessa-nos tão somente o que nos facilita a realização dos nossos anseios. Tudo o mais se nos afigura dispensável, de roldão, pessoas e valores morais.
A mídia em geral, mormente a TV, e o anunciante como seu aliado inseparável, não parecem servir à elevação do nível de mentalidade de um povo, mas a ditar hábitos e costumes que lhe impedem o viver tranquilo.
Devotamos consciente ou inconsciente descaso ao fato de a felicidade verdadeira encontrar-se dentro de nós mesmos. É o Reino de Deus de que nos falou Jesus!
O que nos falta para alcançá-lo é disposição para enfrentar os obstáculos da caminhada que nos leva ao mundo interior. Já se disse que o homem foi à Lua e vai muito além, mas insiste em recusar empreender viagem para dentro de si mesmo. A sabedoria da inscrição no frontispício do Templo de Delfos, ‘conhece-te a ti mesmo’, ainda não nos despertou a atenção.
Perdemos, ainda, a autoridade quando relegamos a ética e a moral a segundo plano, preferindo respeitar a ‘lei da vantagem’, segundo a qual o que vale é a esperteza, a sagacidade, ainda que tal conduta nos custe a consciência intranquila depois. Os valores ensinados pelas religiões não fazem parte das nossas preocupações.
Finalmente, perdemos a autoridade quando deixamos de ser coerentes com os princípios da religião que dizemos professar. Cultivamos a hipocrisia religiosa, adotando atitudes que desmentem o que pregamos, evidenciando junto à própria família e à sociedade um culto meramente exterior. E os nossos filhos, não vendo consequências no que dizemos acreditar, tomam o que afirmamos serem valores espirituais como meras expressões enganadoras.
Foi justamente contra essa face lesiva da hipocrisia, contra esse farisaísmo, que Jesus se exaltou, mostrando-nos que o nosso falar deve ser ‘sim, sim; não, não’. Que precisamos ser autênticos. ‘Não são os que honram com os lábios que entrarão no Reino dos Céus, mas os que fazem a vontade do Pai.’
Portanto, pertencer a uma religião não é tudo. O que vale é a conduta coerente com o em que crê. Evidentemente, que ninguém é absolutamente coerente em todos os atos e em todos os momentos. Ainda estamos muito longe da perfeição,
No entanto, é imperioso que comecemos. Porquanto a verdadeira autoridade, contra a qual não há resistência possível, emana da força moral.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca