10 de julho de 2026

Paciente fica sem atendimento porque médico estava dormindo


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Rosemar Ferreira mostra remédio que deu à filha. Ela teve de ir a uma farmácia, depois de não ser atendida em UBS 24h

A UBS do Jardim Aeroporto, que, na teoria, deve funcionar 24 horas, gerou reclamações e revolta da pespontadeira Rosemar Nicolau Ferreira, 42, moradora no Jardim Aeroporto III. Segundo ela, sua filha, a sapateira Jéssica Cristina Ferreira, 22, também do Aeroporto III, não foi atendida ao procurar a unidade, na madrugada de ontem, porque o médico estaria dormindo.

A pespontadeira foi informada por uma enfermeira que o médico plantonista teria duas horas de descanso, das 3 às 5 horas, e que não poderia ser incomodado. A secretária de Saúde de Franca, Rosane Moscardini, disse que todos os funcionários têm direito ao intervalo de descanso, mas que o médico deve ser chamado em caso de urgência. O caso será investigado pela Secretaria.

Jéssica vomitou e sentiu tonturas por volta das 3 horas de ontem. Acompanhada de seu marido e de Rosemar, foi levada às pressas, de carro, para a UBS. Na unidade, foi atendida por uma enfermeira que aferiu sua pressão e constatou que estava normal. Em seguida, a paciente foi comunicada que teria que esperar. “A enfermeira falou que não poderia atender porque o médico estava dormindo. Que o horário de descanso era aquele e poderia atender só depois das 5 horas”, disse a pespontadeira.

Eles ainda permaneceram no local por dez minutos, tentando atendimento, mas foi em vão. Na saída, segundo a mãe, Jéssica quase desmaiou. A enfermeira teria visto o fato e oferecido uma ambulância da Prefeitura para levar a sapateira até o pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”. A proposta foi rejeitada.

Rosemar levou a filha a uma farmácia 24 horas, onde foi automedicada com Dramin, mesmo sem ter um diagnóstico. Segundo a pespontadeira, vizinhos já passaram pelo mesmo problema. “Ficamos decepcionados e preocupados. Eu ainda tenho carro, pude levar ela, comprar um medicamento. E quem não pode dar um socorro?”, questionou.

AVERIGUAÇÃO
A denúncia chegou à ouvidoria da Secretaria da Saúde. Segundo Rosane Moscardini, o caso será investigado para apurar as responsabilidades. “Não se tratava de uma urgência, tanto que a paciente está bem (...) Eles [médicos] têm esse descanso na madrugada, de menor movimento, mas se chega uma urgência, ele vai fazer o atendimento. Nesse caso, não se tratava.” A Secretaria fez contato telefônico ainda ontem para ouvir a família.