O feriado prolongado de fim de ano é uma das poucas oportunidades que o trabalhador tem para se divertir e viajar. O problema é que o tempo fora de casa deixa as ruas desertas e as casas expostas à ação de bandidos. Somente entre os dias 28 de dezembro e 1´ de janeiro, a Polícia Militar registrou um caso de furto por hora na cidade. São 122 ocorrência do gênero nos cinco dias do feriadão de Réveillon. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em janeiro de 2012, a média de furtos por dia foi de 22. Os dados não levam em conta furtos de veículos. A PM garante que agiu e abordou 1.585 pessoas suspeitas de envolvimento com algum tipo de crime, mas somente sete delas foram presas em flagrante.
Na maioria dos casos, os bandidos conseguem fugir sem ser identificados. Nem mesmo as residências com trancas especiais e portas mais resistentes inibem a ação dos bandidos. Eles aproveitam a ausência dos moradores para literalmente “limpar” todos os objetos de valor (leia mais nesta página).
O sapateiro Leandro Cardoso Azarias, 29, é recém casado e mora há três meses no Residencial São Domingos. Ele e sua mulher são naturais de Pedregulho e estão assustados com a violência de Franca. “Ouvia falar, mas achava que era exagero. Depois deste fim de ano vi que a coisa é séria mesmo.” O casal viajou para a cidade vizinha no dia 21 de dezembro e só voltou dez dias depois. Para confundir os bandidos, o sapateiro deixou algumas luzes acesas, mas a ideia pode ter tido um efeito contrário, já que ninguém apagava as lâmpadas durante o dia.
Para entrar na casa e levar quase R$ 4 mil em mercadorias, os ladrões arrombaram a fechadura do portão e a porta da sala. “Depois do acontecido conversei com os vizinhos. Alguns também estavam viajando, mas os que ficaram em casa disseram que os bandidos tentaram disfarçar o arrombamento. Acho que eles iriam voltar para pegar o resto dos móveis.” Como não deseja passar por essa experiência novamente, o sapateiro já contratou os serviços de uma empresa de segurança para instalar uma cerca elétrica e alarme interno em sua residência. O investimento total será de R$ 2,5 mil.
O casal estuda mudar de cidade caso um episódio parecido volte a acontecer. Nos últimos três dias eles dormem com cadeiras atrás das portas. “Estudamos instalar duas câmeras de vigilância nos postes da rua. Temos que nos proteger sozinhos porque o patrulhamento da polícia não está funcionando aqui”, disse o rapaz.