11 de julho de 2026

Economia: 25,6% dos aposentados de Franca continuam na ativa


| Tempo de leitura: 2 min
TRABALHO - A empregada doméstica Maria Helena Fernandes Henrique, de 68 anos, se aposentou há três anos, mas resolveu continuar trabalhando

Um em cada quatro trabalhadores francanos que se aposentam continua trabalhando. A constatação é do Censo 2010, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Segundo o levantamento, existem hoje na cidade 40.245 aposentados ou pensionistas. Destes, 10.329 (25,6%) ainda estão na ativa.

A empregada doméstica Maria Helena Fernandes Henrique, de 68 anos, é uma delas. Ela trabalha desde os 13 anos. “Sempre fiz alguma coisa. Nunca fiquei parada.” Há três anos se aposentou, mas resolveu continuar trabalhando para poder ajudar a família e não ficar parada. “Eu trabalho na mesma casa há 14 anos. Me apeguei a todos lá. Quando minha patroa disse que queria que eu continuasse, eu aceitei.”

Maria mora sozinha, mas ajuda a nora e os dois netos que vivem no fundo de sua casa. “Meu filho está preso. Então, tenho que colaborar com a minha nora para ela poder criar os meninos”, disse.

Como empregada doméstica, Maria trabalha, em média, oito horas por dia e recebe pouco mais de R$ 622. “Esse dinheiro pode parecer pouco, mas me ajuda muito. Quero continuar trabalhando enquanto eu aguentar.”

Hélio Braga Filho, economista e professor do Uni-Facef, diz que muitas pessoas decidem continuar trabalhando mesmo depois de se aposentarem porque precisam ajudar no sustento da família. “A questão do complemento da renda pesa muito. Quando uma pessoa se aposenta, dificilmente consegue manter o mesmo padrão de vida se não se mantiver trabalhando.”

Para o economista, o fato da população da cidade estar envelhecendo com maior qualidade de vida também tem influenciado nestes números. “As pessoas se aposentam, mas ainda têm muita disposição e vontade de continuar trabalhando, mesmo que não precisem da renda.” É o caso de Newton Ferreira, de 69 anos. Ele trabalha como contador em uma fábrica da cidade, mas está aposentado há nove anos. “Me sinto superbem. Acho que ainda tenho muito o que colaborar. Não quero parar de trabalhar. Prefiro ser útil a passar o dia sem fazer nada.”

O fato de os aposentados continuarem exercendo suas profissões é positivo para a cidade. “Eles acabam melhorando a renda, injetando mais dinheiro na economia de Franca e fazendo o município crescer. Economicamente falando é muito bom que essas pessoas continuem produzindo”, disse Braga.

Segundo o economista, a tendência para os próximos anos é que esse número cresça ainda mais. “O que vemos é um processo de envelhecimento rápido da população de Franca e até do país. Acredito que esse percentual deva crescer bastante em pouco tempo.”