Franca tem um dos piores níveis de instrução do Estado de São Paulo. A constatação é fruto dos dados divulgados na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O levantamento mostra que quatro em cada dez adultos com 25 anos ou mais na cidade não completaram sequer o ensino fundamental. O índice é o terceiro pior do Estado entre os 22 municípios com mais de 300 mil habitantes -perde apenas para Itaquaquecetuba e Carapicuíba, ambas na região metropolitana de São Paulo.
Pelo estudo, hoje 81 mil pessoas não terminaram seus estudos na cidade. O total corresponde a 42% das pessoas com 25 anos ou mais. O índice é maior que a média estadual (41%) e menor que o percentual nacional (49%).
Para a coordenadora dos Núcleos de Alfabetização mantidos pela Prefeitura, Rita Mozetti, os números são reflexo da cultura que havia em Franca há décadas. “O que percebemos ao trabalhar com este público na Educação para Jovens e Adultos é que a maioria tem mais de 60 anos e é mulher. Isso acontece porque, antigamente, o entendimento da sociedade era de que a mulher não precisava estudar. Ela tinha que cuidar do lar.”
Outro fator que também teria influenciado neste índice foi a educação no meio rural. “O acesso à escola não era como agora. Muitas crianças tinham que caminhar horas para chegar ao local dos estudos. Isso fazia com que boa parte desistisse.”
Segundo os dados do IBGE, a maioria dos que abandonaram os estudos é formada por mulheres. Elas respondem por 53,2% do total. A coordenadora disse que o maior problema da falta de estudo é o isolamento. “A pessoa que não sabe ler ou escrever acaba se afastando da sociedade. Se torna mais tímida. Também enfrenta muita dificuldade para conseguir um emprego que tenha uma boa remuneração”.
OUTRA PONTA
O IBGE também analisou o total de pessoas que concluíram o ensino superior. Na cidade, foram 25.254 habitantes. De novo, a maioria é formada pelas mulheres. Elas respondem por 57,6% do total. A explicação seria o fato de elas terem mais tempo disponível para os estudos, uma vez que historicamente cabe ao homem o papel de provedor do lar. Eles, então, acabam abandonando os estudos para poderem trabalhar.