Até pouco tempo atrás os problemas de trânsito resumiam-se às grandes cidades brasileiras. Como contraponto, no interior ainda se experimentava certa tranquilidade por ruas e avenidas, com carros, motos, pedestres e bicicletas convivendo com mais harmonia e respeito.
Nas últimas décadas, porém, essa calmaria foi paulatinamente perdendo seu espaço. As impraticáveis capitais abriram mão de sua exclusividade e os problemas de trânsito começaram a se interiorizar, acompanhando o crescimento da economia, a facilidade do crédito e os incentivos governamentais que permitiram às camadas de baixa renda o sonho do carro novo.
Como consequência, o tráfego nessas cidades foi ficando lento e pesado. Veículos e pedestres foram se apertando por ruas e avenidas cada vez mais ruidosas, apertadas e perigosas e aos poucos esses espaços se transformaram em verdadeiros campos de guerra.
Em Franca, o cenário não é diferente. Notícia publicada por este Comércio no domingo, 16/12, mostra que até outubro desse ano foram registradas 5.080 batidas, com 3.313 vítimas leves ou graves e 28 mortes constatadas no local do acidente. Se comparados com o mesmo período do ano passado, esses números apresentam acréscimo em relação ao número de acidentes (4.931) e um decréscimo no número de mortes (30).
Segundo a Polícia Militar, as causas desses problemas continuam as mesmas: a imprudência dos motoristas e a frota que não para de crescer. Em relação à primeira não há muito que fazer, a não ser insistir no caminho da educação e aumentar o rigor das punições, sejam elas pecuniárias ou até mesmo de restrição de liberdade, já que a punição continua sendo um método bastante eficaz para educar as pessoas, a despeito das várias correntes em contrário.
No que diz respeito à segunda, também não é fácil vislumbrar uma saída no curto prazo. A cadeia produtiva do setor automobilístico é bastante significativa para os números da economia brasileira e para que eles continuem crescendo é necessário que as montadoras continuem vendendo cada vez mais.
Nesse sentido, é muito importante que nossas autoridades estejam bastante atentas a todo esse cenário. Como o consumo de veículos não deverá diminuir nos próximos anos e as obras viárias não crescerão na mesma rapidez e proporção, será preciso concentrar muita energia e criatividade nos trabalhos de prevenção e fiscalização do trânsito.
Seria importante aumentar as ações educativas, não apenas junto às nossas crianças, em seus respectivos espaços escolares, mas também junto a todos os motoristas, sobretudo aqueles pegos em atos infracionais. Mas é fundamental também revitalizar a malha viária, aumentar o rigor das punições e começar a planejar o futuro, talvez analisando a possibilidade de ciclovias, de rodízios nas áreas centrais ou de outras idéias.
Se nada for feito, o cenário vai com certeza piorar.