Não sou tradicionalista. Também não sou piegas. Faço 60 anos em janeiro. Testemunhei, nestas seis décadas, um pouco de praticamente tudo
Testemunhei incontáveis ajustes sociais derivados de costumes que mudaram, de condutas sexuais que se ampliaram, de descobertas que garantiram qualidade de vida mas nos tornaram competidores ferozes e predadores. De cidadania, antes hábito pétreo, resta quase nada.
Ontem, segundo a ótica de catastrofistas que analisaram pedras esculpidas pela civilização maia, o mundo deveria ter acabado. Não acabou. Produziu-se também outro olhar sobre a profecia maia: a data prevista, 21 de dezembro de 2012, marcaria o fim do mundo como o temos hoje, e início de estágio novo de consciência, direcionado ao equilíbrio, à recuperação das relações humanas com ênfase no ser e não mais no ter; espécie de retorno à segurança do ventre materno para fazer tudo renascer como civilização nova, de privilégio a pessoas e não a pertences.
Venho dos anos cinquenta. Lá se praticavam conceitos exclusivamente focados no crescimento do ser humano. De meu ponto de vista, era muito melhor que hoje . Quem educava era a família de pai e mãe 24 horas por dia responsáveis pelos filhos que punham no mundo. Íamos à escola aprender artes, ciências, humanidades, e o fazíamos respeitando mestres e suas competências, hierarquia e o próximo. Comprometíamo-nos a vencer provas sobre o conhecimento que ganhávamos, para merecer degrau acima no ano seguinte. Se, por conta de nossa incompetência éramos retidos, podíamos esperar cobrança pesada de pai, mãe, professor, familiares, amigos, coisa que envergonhava. Envergonha até quase matar. Sentíamos o peso dos erros cometidos, e isso ensinava. Chamávamos de ‘ter vergonha na cara’.
Era, ainda e especialmente, tempo de respeito ao divino, a um ser ou entidade superior segundo o entendíamos. Baseava-se no exercício do bem, e nos remetia a praticá-lo, e a ser previdente contra o mal. E o que era o mal? Era o que, livre e solto, grassa hoje por ai: deixar quem tem fome para lá, não agasalhar quem tem frio, desrespeitar quem não pode se defender, desprezar a vida, fazer alguém de trampolim ou pisar no outro para galgar posições sociais, desrespeitar o outro em qualquer circunstância ou em suas deficiências. Em resumo, éramos melhores porque tínhamos família, escola e espiritualidade.
Passaram-se 60 anos. Mudou tudo. Hoje não há mais família – este Comércio publicou esta semana que, em Franca, ocorre um divórcio a cada oito horas. Filhos? Que se (...). Não há mais escola – a ‘progressão continuada’ garante o estudante na universidade a partir do momento em que o matriculamos na pré-escola, mesmo que não saiba nada. Não há mais religiosidade – quem é ai, que me lê, que acredita de verdade em um ser superior que espera de nós, solidariedade com o próximo; que age como vigilante onipresente e onipotente de nossa consciência contra o ‘pecado’ – não matar, não furtar, não desejar a mulher do próximo... e coisas do tipo, que a maioria dos seres humanos se contrapõe dizendo ‘não me encha o saco!’? Quem é que hoje, mesmo não crendo em algo superior que o faça ter vergonha se errar, se preocupa com isso? O conceito de Deus, como agente estimulador do bem, do bom e do justo, não se pode perder. Crer em algo maior que nossa arrogância é essencial.
Pois bem. Os maias ‘sacaram’ que a humanidade, lá no distante 21 de dezembro de 2012 poderia chegar a algo assim como hoje somos. Acertaram. Poderiam ter deixado para lá, mas não. Cravaram na pedra. Gritaram ao futuro. Quem tem olhar para ver, ou ouvido para ouvir, que veja, ou ouça. Se resolver fazer diferença, amplie o grito. Comece por olhar diferente ao redor do próprio corpo.
ROBERTO NUNES ROCHA
Roberto Nunes Rocha, Secretário de Promoção Social da Prefeitura, não comandará a pasta no governo de Alexandre Ferreira. Pena. Considero relevante o trabalho que desenvolveu nos últimos oito anos. Com sua equipe, dentre tantas atividades, tornou referencial o ‘Famílias Acolhedoras’, propósito que os francanos precisam conhecer melhor. Conversei com ele sobre o tema do texto que, lhe disse, publicaria hoje. E ele lembrou, dentro do contexto: “filhos gerados sem compromisso e, consequentemente, sem responsabilidade de criação, requerem, em curto tempo, mais policiais e mais leis. Não se dará conta da violência que essas crianças gerarão”. Torço por sua sucessora, Gislaine Alves Perez.
GILBERTO GARCIA
Gilberto Garcia, o radialista ‘vozeirão’ dos fins de domingo na Difusora, completou este ano, com seu ‘Saudade não tem idade’, 42 anos de apresentações ininterruptas. Conheço-o a muitos anos e nunca o vi triste, ou bravo. Sempre ostentou um sorrizaço no rosto, quase sempre antecipando sua gargalhada característica. Tem 70 anos mas continua um garoto. Perguntei-lhe: ‘como?’. E ele, sem pestanejar: ‘Não envelhece quem vive sorrindo!’. Brinquei com ele: ‘Rugas?’. E ele: ‘Cara feia!’, sem pestanejar. Disse e saiu gargalhando. Está ai a receita para o mundo novo que os maias pregaram.
VOTOS
Recebi votos de boas festas e crença no novo tempo que vai começar de Odorico e Laércio, da Jussara; de Marcos Silva (meu companheiro de rádio Difusora) e Eurípedes Gonçalves, diretores da Liga Francana de Amadores de Futebol; Tiago Bachur e Fabrício Vieira, advogados competentes, que chamo de ‘última esperança de aposentados e idosos que precisam ter direitos previdenciários respeitados’; de Lúcia Brigagão, colunista deste Comércio, mulher que não admite falhas de caráter e sempre diz o que pensa; Francisco Sérgio Nalini e Palmira, meus amigos desde os tempo do ‘Clube da Esquina’ caboclo da rua Voluntário José Rufino, hoje Secretário da Fazenda de Ribeirão Preto. Também, dos deputados Nelson Marchezelli, federal, e Major Olímpio Gomes, estadual. Agradeço. Retribuo.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br