09 de julho de 2026

Governo do Estado de São Paulo quer assumir gestão da Santa Casa


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Uma reunião no final da manhã desta quinta-feira rompeu o silêncio do governo do Estado diante da crise financeira enfrentada pela Santa Casa de Franca, que há duas semanas suspendeu mais de 900 atendimentos por dia. O encontro resultou na abertura de um processo para que o governo do Estado, através da Secretaria de Saúde, assuma a gestão dos serviços prestados pela Santa Casa a partir do ano que vem.

A reunião, que contou com as presenças do secretário estadual adjunto da Saúde, José Manoel Camargo Teixeira, do deputado estadual Gilson de Souza (DEM) e de representantes do hospital, marcou a retomada das negociações para resolver os problemas financeiros do hospital que acumula uma dívida de R$ 8 milhões com fornecedores só neste ano.

Atualmente, o Estado funciona como um intermediário do Ministério da Saúde, que é quem paga pelos serviços da Santa Casa. “A ideia é que a gestão passe a ser estadualizada. Assim, nosso contrato seria com o governo de São Paulo e não ficaria preso à tabela SUS, que está defasada”, explicou o presidente da Santa Casa, Luís Aurélio Prior.

Pelo novo modelo, a Secretaria Estadual de Saúde compraria os serviços para atender a população e também teria o controle sobre os investimentos e serviços prestados pela Santa Casa. “Eles seriam nossos cogestores. Para instalarmos um novo serviço ou fazer um grande investimento, teríamos que contar com o aval da secretaria”, disse Prior.

A parte administrativa continuaria nas mãos da Fundação Casa de Misericórdia. “Nós continuaríamos responsáveis pela contratação de pessoal, pela compra de material, entre outras coisas.”

A vantagem é que, sem a obrigação de seguir a tabela SUS, o déficit do hospital seria praticamente zerado. “Pelo que eles (da Secretaria de Saúde) nos sinalizaram, eles pagariam o preço de custo do procedimento. Não teríamos mais o prejuízo que hoje enfrentamos.”

Pelo novo contrato, todos os leitos do hospital também passariam a ser destinados ao atendimento público. Os usuários do plano de saúde do hospital passariam a ser atendidos nos hospitais do Coração e Câncer. “O contrato abrange apenas a Santa Casa. Nosso plano de saúde seria transferido para o Hospital do Coração e do Câncer. Se tudo der certo, lá instalaremos uma nova área de consultórios.”

O novo contrato deve começar a ser discutido no final deste mês. “Queremos estar com tudo acertado no começo do ano. Acho que, se tudo correr como esperado, resolveremos o problema financeiro do hospital.”

EMERGÊNCIA
Sobre a atual situação da Santa Casa, que está com atendimentos suspensos por falta de material e medicamentos, o presidente disse que a Secretaria Estadual concordou em ajudar financeiramente a instituição, mas, para isso, exige que um novo contrato emergencial seja assinado.

Uma comissão para discutir os termos deste contrato de serviços está sendo montada. Ela contará com membros do governo estadual, da Prefeitura e da própria Santa Casa. “A previsão é que este contrato esteja finalizado até o dia 28 deste mês. Assim que estiver assinado, o aporte financeiro será feito.” Até lá, alguns atendimentos continuam suspensos.