08 de julho de 2026

A escolha certa


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No momento em que os prefeitos eleitos em outubro estão escolhendo seus colaboradores mais diretos e compondo o secretariado, é muito importante que procurem escolher pessoas leais, mas, principalmente, competentes, evitando-se bajuladores e oportunistas. A parábola que passo a narrar talvez sirva de reflexão aos novos mandatários municipais.

Consta que na idade média houve um rei muito justo, porém bastante enérgico. Ostentava grande paixão pela caça. O monarca tinha uma filha extremamente formosa e já em idade de se casar. Assim, como era costume naquele tempo, os casamentos dos filhos eram ‘arrumados’ ou ‘combinados’ pelos pais, cabendo aos filhos apenas a anuência formal no dia da cerimônia.

O rei, então, convocou os três mais jovens e mais renomados pintores do seu reino e fez a eles a seguinte proposta: eles deveriam retratá-lo em um quadro, sendo que, aquele que fizesse o melhor trabalho, ganharia o direito de se casar com a princesa e ainda receberia uma grande soma em dinheiro.

A proposta era muito tentadora e os três pintores colocaram ‘às mãos nas tintas’ para, rapidamente, apresentaram ao monarca o resultado de seus trabalhos. O primeiro pintor e pretendente retratou o rei exatamente como ele era, inclusive colocando em destaque seu proeminente nariz. Após o exame da obra o soberano energicamente asseverou que o retrato não havia ficado do seu gosto, pois a seu ver, ele não era tão feio.

O segundo artista plástico procurou retratar o rei de uma forma mais amena. Diminuiu consideravelmente o tamanho do seu nariz, aquele detalhe que era o seu principal defeito, procurando deixá-lo mais atraente. O retratado examinou detidamente o quadro e, enfaticamente, declarou seu desagrado, pois, para ele, aquela figura contida na tela, não era efetivamente ele.

O terceiro pintor também apresentou seu trabalho. O monarca, após exame meticuloso, concluiu decididamente, determinando que fossem marcadas as bodas, pois, a seu ver, o retrato tinha atendido todas as suas expectativas. Na verdade, o pintor, sabiamente para os fins propostos, retratou o rei caçando, de tal maneira que a coronha da espingarda tampasse seu avantajado nariz, escondendo assim a parte do rosto que desagradava o soberano.

Pode-se concluir que, infelizmente, acabamos por apreciar mais as pessoas que procuram esconder os nossos defeitos e não aquelas que, com sinceridade, nos retratam como verdadeiramente somos. Assim, os novos eleitos devem procurar colaboradores e não bajuladores.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca