Um aperitivo dos deuses e que segue uma tradição secular européia tem deixado as cercanias do Mosteiro de Claraval (MG) para fazer sucesso não só na vizinha Franca, como também no mundo virtual. Fabricado em diferentes sabores, os licores dos monges cistercienses, antes com venda somente interna, agora podem ser comprados em pontos comerciais e até mesmo via internet. Uma loja virtual foi montada no site do mosteiro (www.mosteirodeclaraval.org.br) e comercializa além das bebidas, geléias de frutas e artigos religiosos. Com maior exposição, as vendas e a produção dobraram em seis meses.
Os monges de Claraval produzem licores há 40 anos, desde que religiosos da ordem vieram da Itália, onde está o mosteiro mãe. Sempre com comercialização restrita aos frequentadores e visitantes do mosteiro, as bebidas só ganharam novos mercados nos últimos três anos. Atualmente Franca, Ribeirão Preto e as cidades mineiras de São Sebastião do Paraíso e Poços de Caldas são algumas das cidades que já contam com os produtos fabricados dentro do Mosteiro de Nossa Senhora do Divino Espírito, mais conhecido como Mosteiro de Claraval.
Na internet, as vendas são ainda mais recentes e começaram neste segundo semestre de 2012. Padre Mateus, responsável pela produção dos licores, diz que atualmente há cinco sabores disponíveis (jabuticaba, chocolate, cappuccino, café e limão) e outros dois (jabuticaba com nozes e chocolate com menta) a serem lançados ainda neste mês. “É uma produção artesanal, mas que tem todo acompanhamento técnico de um químico e registro no Ministério da Agricultura”, diz o padre.
Para lançamento no mercado, os monges também tiveram a ajuda de uma equipe de marketing, que ajudou a definir os pontos de venda, o rótulo e as embalagens. Os licores são comercializados em frascos de 750 ml, 375 ml e em miniaturas. Os preços variam de R$ 10 a 30. “O licor é uma bebida de público específico, então não pode ser vendida em qualquer lugar. Mas ele também tem bastante procura para lembrança de casamentos e como presente de empresas”, disse o padre.
Segundo ele, graças a esses novos mercados, as vendas saltaram de 40 frascos por mês para até cem unidades mensais. Em razão da alta na comercialização, a produção hoje é de 60 litros por dia da bebida, mas a licoraria tem capacidade para produzir até 150 litros. “Queremos, para 2013, crescer ainda mais em vendas e produção. Calculamos um aumento de 15%.”
AS GELÉIAS
Enquanto o padre Mateus cuida da produção dos licores, em outro ponto do mosteiro o irmão Afonso se dedica à fabricação de geléias. O doce é uma novidade na casa e a ideia de produzir em escala partiu do próprio religioso, que já cuidava da fabricação de pães e de outras iguarias restritas ao cardápio dos monges.
Feitas diretamente da fruta - morango, maracujá, jabuticaba, goiaba, abacaxi e manga -, as geleias também podem ser encontradas diretamente no mosteiro, em supermercados, casas do ramo e na internet, onde um pote de 280 gramas custa R$ 6.
“No começo fazíamos todas as geléias no tacho. Com o crescimento das vendas, tivemos que comprar alguns maquinários, mas a produção não deixou de ser artesanal”, disse o irmão Afonso.
O monge afirmou ainda que a produção tem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e atinge em torno de 200 frascos por mês.