Com o dólar em alta, os calçadistas apostam em um crescimento das exportações a partir do ano que vem. As estimativas variam, mas a maioria aposta em um avanço entre 15% e 20%. A produção maior deverá resultar em mais contratações.
Depois de um bom ano para a Rafarillo, que focou no mercado interno, o encarregado do comércio exterior da empresa, Murilo Cintra, acredita que em 2013 as exportações serão mais significativas. “Elas devem crescer de 15% a 20%, por dois motivos: a alta do dólar, que se estabilizou por volta de R$ 2,05, e a procura que tivemos de empresas do exterior já este ano”, diz. “Com certeza iremos precisar de mais funcionários se as exportações aumentarem em 15%”, completa o diretor-proprietário da Rafarillo, Valter Cintra.
Esbanjando otimismo, o diretor-proprietário da Stefanello, Jaime Borges, acredita que suas exportações deverão triplicar no ano que vem. “Nesse segundo semestre, observamos uma grande procura internacional pelos nossos calçados. Busquei importadores por causa da estabilidade do dólar e também porque o mercado interno está ruim, o que deve influenciar as exportações em 2013.”
A Stefanello produziu, até outubro deste ano, 700 pares ao dia, com 10% a 20% desses sendo reservados para o mercado externo. A produção de novembro e dezembro foram 100% para o Brasil. Borges estima que, em 2013, terá de contratar 30 funcionários para dar conta dos pedidos para exportação.
A grande expectativa dos empresários deve-se ao ano ruim que 2012 foi para as exportações calçadistas. O relatório de outubro deste ano, divulgado pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), mostra que as exportações diminuíram. Foram 2.628.161 pares de calçados vendidos de janeiro a outubro de 2011 contra 2.251.045 no mesmo período de 2012, representando uma queda de 14,35%.
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, afirma que o decréscimo nas exportações acontece desde 1993 por vários motivos, como a falta de reformas tributárias e trabalhistas, a concorrência asiática nos principais mercados de Franca (Estados Unidos e Europa) e ausência de políticas governamentais de incentivo ao comércio exterior.
Para Brigagão, o dólar também deveria estar mais valorizado - entre R$ 2,20 e R$ 2,50 -, para tornar as transações “ideais”. “Mesmo com a nossa tradição como exportador desde os anos 70, o que se exporta hoje em Franca, cerca de 3 milhões [de pares ao ano], é esforço único e incontestável do empresário, que tem buscado novos mercados.”
O presidente do sindicato discorda das estimativas dos empresários para o próximo ano. “Segundo as projeções, as exportações são desanimadoras para o ano de 2013.”