09 de julho de 2026

Mil pacientes ficam sem atendimento na Santa Casa


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Pessoas que procuraram atendimento no setor de ortopedia da Santa Casa ontem deram com a cara na porta

Pelo menos mil pacientes do SUS ficaram sem atendimento ontem em Franca, devido à interrupção dos serviços pela Fundação Santa Casa, que administra a unidade e os hospitais do Câncer e do Coração. Portadores de câncer não puderam fazer sessões de quimio e radioterapia. Cirurgias, exames e fisioterapia também foram suspensos. A paralisação no atendimento é por tempo indeterminado. Apenas os casos de urgência, emergência e hemodiálise são recebidos. Se não bastasse a limitação dos serviços, a superlotação dificulta novas internações.

A direção da Santa Casa decidiu fazer cortes no atendimento por causa da crise financeira. O hospital alega que o estoque de insumos e medicamentos está no limite. Não há dinheiro para novas compras e a dívida com fornecedores chega a R$ 8 milhões. A medida também é uma forma de pressionar o Estado a aumentar os repasses ao hospital. Uma reunião entre as partes está marcada para a próxima segunda-feira.

Até lá, tratamento de câncer e procedimentos eletivos, tanto cirúrgicos como ambulatoriais, seguem suspensos. As portas da ortopedia e do laboratório foram fechadas. Pessoas que foram ao hospital, ontem, em busca dos serviços prestados se revoltaram e fizeram críticas à medida tomada pela direção.

Números obtidos pelo Comércio dão uma dimensão da quantidade de atendimentos que deixaram de ser realizados. Todos os dias, é feita uma média de 30 cirurgias, 100 casos de ortopedia, igual número de reabilitação, 70 procedimentos de curativo, 100 exames no Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital do Coração e 1,4 mil exames laboratoriais e de raio-x. No Hospital do Câncer, pelo menos cem procedimentos de quimio e radioterapia deixaram de ser feitos. Na cidade, há mais de 1,2 mil pessoas se tratando da doença.

O médico oncologista José Reinaldo de Paula Tasso atende a uma média de 30 a 40 pacientes no Hospital do Câncer todos os dias. Na tarde de terça-feira, ele foi informado que não deveria trabalhar ontem, pois ninguém seria atendido. O especialista afirma que a suspensão causará prejuízo aos portadores da doença. “A situação é dramática. O paciente já está fragilizado e o tratamento é suspenso de forma abrupta. Isso diminui a resposta, diminui a chance de cura. Pode interferir no tempo de vida da pessoa, sem falar no estado psicológico que já não é dos melhores. A pessoa fica ainda mais angustiada”, lamentou.

LOTAÇÃO
A Santa Casa está com todos os seus leitos ocupados. Ontem, um paciente que recebeu alta do CTI não teve como ser levado para o quarto por falta de vagas.

O presidente Luiz Aurélio Prior disse que enviou ofícios à diretora regional de Saúde, Adriana Ruzene, informando a gravidade da situação e alertando sobre a necessidade de priorizar os atendimentos de urgência e emergência. No documento, ele diz que está impossibilitado de fazer novas internações e que o órgão do governo deve orientar os municípios da região a encaminhar pacientes para outros hospitais até que a situação se normalize.