Recebi do meu cunhado Zenon Lemos o livro Quem pensa, enriquece. Trata-se de conteúdo interessante cuja leitura recomendo. Foi escrito depois de 25 anos de pesquisa com pessoas bem sucedidas e fracassadas. Algumas das orientações contidas, nós já sabemos. A maior dificuldade é colocar pensamentos, imaginação, fé, etc., em ação, principalmente para fazer mudanças necessárias. Gostamos de viver na zona de conforto. Mudanças são desafiadoras e nos consomem. No momento em que lia, lembrei-me de quando iniciei no mercado de trabalho, quantas experiências vivenciei que foram e são importantes para mim.
Trabalhei no escritório de contabilidade e advocacia do Dr. Fábio Liporoni. Recordei-me de vários ensinamentos que recebi dele, um ícone de nossa cidade. Eu tinha apenas catorze anos. O dr. Fábio confiava a mim, o recebimento das mensalidades de seus clientes. Fui treinando, então, aprendendo a lidar com pessoas de temperamentos diversos. Depois trabalhei com exportação com Sílvio Berteli, época em que estudei inglês, aprendi sobre sapato e sua fabricação. Lidar com americano não era tarefa fácil, pois éramos tratados como gente de país subdesenvolvido. Mesmo quando estávamos corretos, estávamos errados. Isso me indignava. Não achava correto e argumentava que se o erro era deles, que se responsabilizassem. Aprendi que os problemas precisam de solução e não de desculpas ou justificativas, e que o cliente é a alma do negócio, portanto, deve ser bem tratado. Relacionar é uma arte!
Essas experiências me motivaram a ingressar na Faculdade de Direito de Franca. Formando, iniciei na advocacia, fiz outros cursos, conclui mestrado, comecei a ministrar aulas na universidade, estou concluindo especialização em psicanálise e acabei de ser aprovado na seleção do doutorado. E é pouco! O ser humano precisa ter ambição, precisa desejar e encontrar meios de realizar seus desejos, senão não progride, morre, vegeta. Se olhar ao redor encontraremos muitos que não fazem e reclamam das que fazem. Muitos têm diploma e ‘acreditam’ que não precisam mais estudar; porém, neste mundo volátil, no qual informações viajam em microssegundos, quem pára no tempo não se realizará. Não há espaço para a mediocridade. O professor Edson Mendonça Junqueira diz com frequência a seus alunos que ‘quem faz escolha, faz renúncia’. Só quem sabe aonde quer chegar encontra meios para ir, e não arruma desculpas. Uma amiga terminou relacionamento de cinco anos. O motivo: o namorado não quer que ela continue estudando, já que acredita que a formatura já lhe deu profissão, e isso basta. Ela quer mais, quer melhorar como pessoa e profissional, e, por isso, decidiu-se por se separar. Escolhas e renúncias temos que fazer em todo instante, e, é obvio que tenhamos resultados positivos e negativos. Não podemos deixar de ter ambição e de trabalhar com o medo. Não quem não decidir, não vencerá. Sucesso e fracasso são pautados pelas experiências. Olhando para a história vemos que as pessoas bem sucedidas tiveram sonhos, esperanças, vontade, desejos e planos.
Fracassos, todos sofremos. A diferença está no olhar, no modo de ver: muitos veem como desculpas, outros, como degraus. Acredito que cada ser humano é capaz de ser aquilo que acredita ser. Está no livro: ‘Não existem limitações para a mente, exceto as que nós mesmos reconhecemos.” “O caminho do sucesso é o caminho da aprendizagem contínua.” E, “só existe uma fraqueza (...): a falta de ambição!’
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário