Alfabetizados e em sintonia com a tecnologia. É assim que se sentem os 40 alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) de Franca que receberam na última quarta-feira, dia 5, um smartphones (telefone inteligente, em inglês, ou celular de alta tecnologia) da Nokia. Os estudantes fizeram parte do Palma (Programa de Alfabetização da Língua Materna), um projeto pioneiro realizado pela companhia Ies2 em Franca e em apenas mais três outras cidades: Ourinhos, Santos e Itatiba. O Palma foi idealizado pelo matemático José Luis Poli para facilitar a alfabetização de adultos, já que não existem projetos específicos para essa área.
A escolha dos alunos coube à coordenadora do EJA em franca, Rita Mozetti. Para testar a eficácia do novo método, ela decidiu incluir estudantes que apresentavam mais dificuldades de aprendizado, como idosos e pessoas com algum grau de deficiência intelectual.
“O projeto deu muito certo, porque pessoas desacreditadas pelo sistema educacional obtiveram êxito. Eles conseguem formar e identificar palavras. O perfil do estudante do EJA é de evasão do curso. Entre os participantes do Palma, não houve desistência e nem faltas não justificadas. Quando estão doentes, eles ligam e avisam, dando uma satisfação, o que não ocorria antes.”
Rita comemorou os resultados do projeto e a doação dos aparelhos aos alunos. “As pessoas mais velhas têm dificuldade de usar um computador, e nem todo idoso possui um equipamento. Já o celular, por mais do que o idoso considere difícil manusear, ele tem.”,
Segundo Rita, outra vantagem é que o aluno pode utilizar o celular em casa também. “Tem aluno que agora passa a madrugada fazendo lição. Se fosse um livro didático, ele não passaria. Só que o projeto não substitui o professor. O smartphone é um atrativo a mais, que veio complementar nossas aulas.”
Os aparelhos, que têm teclas grandes para facilitar o uso, funcionam como qualquer outro smartphone. O diferencial são os aplicativos instalados contendo exercícios de alfabetização interativos em cinco níveis diferentes - alfabeto, sílabas simples, sílabas complexas, vocabulário e interpretação de texto. Assim que o aluno realiza as atividades, um relatório é enviado para o seu professor, para Rita e para a Ies2, para que eles identifiquem as dificuldades e o desempenho em geral dos alunos. Os aparelhos foram pagos pela empresa, em parceria com a empresa Vivo.
ELOGIOS
Os alunos beneficiados, que já usavam o celular e agora se tornaram proprietários do aparelho, só têm elogios para a nova tecnologia. “Quando eu vim para cá [o curso de alfabetização], eu não sabia nada. Agora, o smartphone abriu mais a minha mente, fiquei mais inteligente. Acho que não saio mais da escola! Agora já sei o ônibus que eu tenho que pegar, vou no banco, recebo... Já comprei até um carro para mim. Vou continuar estudando até tirar a carta de motorista”, disse a dona de casa Eurípeda Maria Mota, 56.
Apesar de todas as funções do smartphone estarem liberadas, Eurípeda só quer usá-lo para estudar, porque tem medo de quebrá-lo. “Tenho outro para fazer ligações”, acrescenta.
A alfabetização pioneira também abriu novos horizontes para Vanessa Resende, 27. Com síndrome de Down, ela estuda na CEI (Centro de Educação Integrada) na parte da manhã e, à tarde, vai para a Paróquia Nossa Senhora das Graças se alfabetizar. “Com o smartphone, eu estou aprendendo a ler. Já sei ler todos os nomes das celebridades. Sonho em ser fotógrafa, tirar foto dos artistas e ser artista também”, diz Vanessa.
Outra estudante radiante com o presente era Patrícia Aparecida Lima, 32. “Estou feliz de ter ganhado o smartphone. Tô aprendendo muito. Antes eu não sabia ler, e agora eu sei.”
Ela estava acompanhada do pai, o sapateiro José Iris de Lima, 61. Ele contou que ajuda sempre a filha, que tem retardo mental, nas aulas e em casa. “Estou muito satisfeito, porque ela desenvolveu muito. Estou muito otimista. Acho que agora, com o smartphone, ela vai conseguir se alfabetizar, algo que ela tenta há 20 anos e não conseguiu. Essa tecnologia é de primeiro mundo.”