09 de julho de 2026

Enfermeira de Ribeirão foi presa e torturada


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Áurea Moretti é entrevistada para o documentário sobre a resistência

A enfermeira Áurea Moretti Pires, 68, moradora de Ribeirão Preto, é uma das entrevistadas pelo projeto Memórias da Resistência. Áurea foi uma das principais líderes da Faln (Forças Armadas de Libertação Nacional), movimento formado por estudantes da região no período da ditadura militar. Áurea relata com detalhes no documentário a fase em que foi presa e torturada.

Ela nasceu em São Joaquim da Barra, mas morava em Ribeirão Preto quando foi presa. Áurea diz que fazia parte do PCB (Partido Comunista Brasileiro), mas um grupo de estudantes decidiu romper com o chamado “partidão” e criou a Faln.

“A gente lutava pela democracia. Após o AI-5 [Ato Institucional número 5, que dava poderes extraordinários ao Presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais], começaram as perseguições e assassinatos em todo o País e em 1969 fui presa na minha casa. Eu tinha 24 anos e estudava enfermagem na USP. Na delegacia já comecei a ser torturada.”

Áurea disse que foi espancada até desmaiar e era comum levar choques elétricos. “Foi um horror. As mulheres eram ameaçadas de estupro e passávamos noites inteiras tomando choques enquanto eles interrogavam a gente. Só Deus sabe como conseguimos aguentar.”

A enfermeira recorda das críticas às mulheres envolvidas nos movimentos contra o golpe militar de 64. “Eles falavam que mulher era para lavar prato, servir o marido e cuidar dos filhos, falavam que mulher era sexo frágil, mas a gente não corria da raia, não. Enfrentei tudo pela ideologia que a gente tinha.”

Áurea ficou honrada com a participação no documentário e no livro Memórias da Resistência e ressaltou a importância desse tipo de trabalho.

“Eles me entrevistaram por cinco horas e me deixaram emocionadíssima com esse projeto. É importante porque tem que ser resgatada a história da região para acrescentar à do Brasil, para contar às gerações de agora o que houve e para que nunca mais aconteça isso no Brasil”, disse a enfermeira.