Já consideramos, aqui, nossa escancarada incapacidade de enfrentar nossos próprios defeitos. Preferimos que o orgulho, os atrativos da matéria e a vaidade se sobreponham a nosso compromisso moral de redimir das faltas cometidas em vidas pretéritas.
Continuamos faltosos e acomodados no desculpismo: ‘o que fazermos, se não nos lembramos dos compromissos morais assumidos quando do planejamento espiritual da reencarnação?’
Pois é neste momento que atendemos a requisições da própria consciência lúcida. Se nos é patente a noção do bem e do mal, não nos assiste, em hipótese alguma, a pretensão de justificar-nos no ‘não me lembro de que tenha feito compromissos!’
A união familiar é pressuposto evolutivo. Quando assumimos a vida a dois, já deveríamos abrir mão do atendimento exclusivo do próprio ego, mas, quando assumimos a paternidade e a maternidade, esse despojamento cresce para os limites da necessidade intransferível de, custe-nos o que custar, acudir a assistência formal e espiritual dos nossos filhos. Mas, com nada de evangelho e muito de vaidade, recusamos a pagar o respectivo preço. Esquecemo-nos dos filhos e nos entregamos ao domínio das emoções.
Como se jovens fôssemos, é comum que, adultos, permaneçamos submissos às injunções emocionais. Não avançamos. As vezes, logramos disfarçar, sem, contudo, firmar o passo no rumo da felicidade efetiva. Quantos casais, movidos a ilusões, se põem a desentender-se diante dos filhos, impondo-lhes que assimilem dolorosos desajustes na personalidade, só porque algo contrariou aqueles em desatendimento à sua vaidade pessoal?
Bem a propósito é o artigo da psicóloga Rosely Saião (Caderno ‘Equilíbrio’, da Folha de S. Paulo, edição de 04.09.12). Ela nos mostra o quanto as pessoas relutam em amadurecer, assumindo comportamento impróprio para a sua faixa etária, sucumbidos aos caprichos da vaidade que lhes falam mais alto do que lhes falariam os fatores educação, segurança e carinho que lhes cumpre imprimir na formação dos filhos. Recusam-se a amadurecer. A todo custo, buscam na plástica, no vestuário, no linguajar, nas atitudes, no gestual, mostrar as expressões juvenis que há muito já perderam. Diz a autora de referido trabalho que o desafio deve ser, evidentemente, a busca pelo amadurecimento em todos os sentidos, o que nos custa o enfrentamento da realidade que teimamos em negar.
A felicidade é o céu dentro de nós, como nos disse Jesus, que nos advertira também: ‘a cada um segundo as suas obras’. Ninguém se felicita, infelicitando seus próprios filhos no descumprimento dos deveres de pais. Além disso, é chegada a hora da nossa contribuição individual para a transição planetária que nos levará a novo patamar no concerto dos mundos.
Foi justamente nesse sentido que o Mestre Excelso nos advertira: ‘os justos herdarão a Terra’.
Em outras palavras: quem não se alinhar à fraternidade na família e, por conseguinte, na sociedade, haverá de atrair-se para orbes que lhe serão, no mínimo, desconfortáveis.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca