08 de julho de 2026

Município acaba com polêmico ‘fax da morte’


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Atendente do Samu durante ocorrência ontem. Nos próximos dias, a central do Samu receberá equipamentos e os membros da equipe vão passar por um treinamento para decidir sobre as internações na Santa Casa

Um dos principais gargalos do setor de saúde pública em Franca pode estar com os dias contados. A Prefeitura anunciou ontem que vai reassumir a decisão de autorizar internações na Santa Casa. Desde 2007, o controle das vagas é feito a distância por uma central do governo do Estado. Pacientes dependem de uma autorização para serem atendidos. A demora na resposta provoca indignação de usuários e médicos. Houve casos em que pacientes morreram esperando a ordem ser enviada. Não à toa, o documento passou a ser chamado de “fax da morte”. O novo sistema, que será gerenciado pelos médicos do Samu, deve entrar em vigor em meados de janeiro. Por um lado, vai permitir maior agilidade. Mas o atendimento dependerá da disponibilidade de leitos.

A dependência do Estado para liberar uma internação na Santa Casa foi um dos temas mais explorados pela oposição durante a campanha eleitoral das eleições para prefeito. Enquanto Alexandre evitava tocar no tema, a administração trabalhava em silêncio e negociações para retomar o controle eram feitas com o governo e o hospital. A ideia de trazer a regulação para o município surgiu com a instalação do Samu em Franca no começo do ano.

O anúncio de que as partes chegaram a um acordo foi feito à rádio Difusora AM, ontem, pela secretária de Saúde, Rosane Moscardine. “A partir de janeiro, a regulação de vagas será feita pela nossa central. Com isto, vamos eliminar obstáculos e ganhar tempo. Teremos uma otimização de recursos. A intenção é melhorar o atendimento prestado à população”.

Hoje, quando um paciente está no PS e precisa ser internado, o médico entra em contato com a Cros (Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde), em São Paulo, e faz o pedido. Cabe ao médico de lá, que não conhece a realidade do município, avaliar. Em seguida, ele entra em contato com a Santa Casa para autorizar ou não a transferência. Agora, o contato será feito diretamente com o Samu.

Com a eliminação do intermediário, a resposta será dada em menor tempo. Como a Santa Casa tem apenas 270 leitos para atendimento pelo SUS, a transferência para a internação do paciente ficará condicionada à existência de vaga. “Não acredito que teremos problemas. Estamos dando conta da demanda e não temos mais reclamações. O controle por parte do município era uma reivindicação e vai agilizar o atendimento”, disse Luiz Aurélio Prior, presidente da Santa Casa.

Segundo o dirigente, Franca é a segunda cidade do interior, depois de Araçatuba, a assumir a regulação de vagas.