09 de julho de 2026

Escola do Jardim Cambuí vira terra de ninguém


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Marcas de buracos no muro da escola “Maria Cintra”, local que os menores têm invadido para ameaçar e agredir pessoas, inclusive funcionários; terça-feira última, adolescente de 14 anos chutou professor na unidade de ensino

Um grupo de menores com idades entre 12 e 15 anos tomou o controle da escola estadual “Maria Cintra Nunes Rocha”, no Jardim Cambuí. Segundo funcionários e vizinhos, os invasores, que são ex-alunos da instituição e moradores no bairro, invadem o local a qualquer hora do dia, seja pelos portões ou pulando o muro. Lá, jogam bola, usam drogas e intimidam os funcionários. Entram também na sala dos professores e na diretoria, onde chegariam até a beber café. Quem ousa bater de frente com eles é duramente ameaçado. “É uma coisa quase que animalesca. Vão para a escola com o intuito de atrapalhar o ambiente, tocar o terror, ameaçar os outros”, alertou um professor.

Na última terça-feira, um professor de 39 anos foi agredido, à noite, em um corredor. Um adolescente de 14 anos, também ex-aluno, pulou o muro deu chutes na perna da vítima. A diarista de 41 nos, mãe do acusado e moradora próximo à escola, diz que seu filho “vive” no local com os colegas e não sabe mais o que fazer. “Ele nem estuda, vai lá só para atentar lá na porta. Ele e a turma”, afirmou a mulher.

Quem sofre são os funcionários da instituição. Reféns da ira dos adolescentes, preferem se calar. A diretora afirma que o problema é “social” e que envia relatórios diários para a Secretária de Educação. É o que pode fazer. Um professor de 27 anos, que trabalha na escola desde agosto do ano passado, foi ameaçado há mais de um mês e registrou o fato no 5º Distrito Policial. “Ameaçaram de quebrar meu carro e também me ameaçaram de agressão fora da escola. Isso porque, no momento de uma invasão, eu simplesmente pedi para eles se retirarem da sala de professores”, contou. “Lá o ambiente é realmente muito tenso e te deixa inseguro para trabalhar. É frequente você ver ameaças a outros funcionários.”

Um comerciante de 58 anos, que trabalha próximo ao local, tem visão privilegiada das invasões. “Eu vejo eles pularem de lá, pularem de cá (dos muros). Um dia um deles saiu metendo o peito (em um funcionário) e entrou.” De acordo com testemunha, a situação “melhorou” depois que o bairro foi asfaltado. “Eles sentam o pé lá (no portão da escola). Os meninos aí são ferozes, é tudo molecada. Se você resolver boquejar com eles aqui eles quebram e pronto. Você vai fazer o quê?”, questionou.

Segundo o comandante da 5º Companhia da PM, capitão Cleotheos Sabino, a Ronda Escolar monitora todas as instituições do município e não consegue estar em todos os lugares 24 horas. “O grande problema que eu vejo é que a maioria das escolas não tem como fazer um controle efetivo de entrada de pessoas. Não se tem cartão de identificação, roleta, um acesso monitorado”, disse o capitão.

CONTROVERSO
Ao contrário das reclamações de funcionários e vizinhos, a Secretaria Estadual de Educação, através de nota enviada por e-mail, diz que “ocorrências que necessitem de notificação à Polícia Militar não são constantes na escola. O caso ocorrido foi pontual”. Sobre a agressão, anteontem, responderam que mesmo que tenha acontecido dentro da escola, eles não respondem pelo fato, já que tratam-se de ex-alunos. Ainda segundo a nota, há uma reforma prevista para a unidade para o aumento dos muros e reforço da segurança.