Morreu na terça-feira, 4 de dezembro, por volta das 19 horas, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Joaquim/Unimed, o conhecido agropecuarista Mário Del Bianco, aos 81 anos. Acometido por Alzheimer e diabético, Mário, embora lúcido e convivendo com familiares e amigos em casa, teve reduzidos os movimentos das pernas há quinze dias, o que levou ao leito. Sucessão de sequelas, especialmente insuficiência respiratória causada por pneumonia – registrada em seu atestado de óbito – o levou à hospitalização, o debilitou e causou sua morte.
Filho da segunda geração de imigrantes italianos, nasceu em Ibiraci (MG) e lá se casou com Reginalda Rodrigues Del Bianco. Do casamento nasceram 7 filhos, José, casado com Eliane; Maria Goreti, viúva; Maria Olivina, casada com João Benedetti; Maria do Carmo, casada com Antônio Galvão Pedroso; Marilda, casada com Edson Camacho; Mônica, casada com Renato César de Souza; e Paulo, casado com Adriana. Dos enlaces dos filhos, o casal teve 18 netos (Daniela, Fabíola, Tales, Sofia, Paola, Tiago, Mateus, Felipe, João, Pedro, Humberto, Thaís, Mário, Carolina, Arthur, Fernando, Marina e Ricardo) e uma bisneta, Bárbara.
Seguindo a história familiar, Mário se tornou agropecuarista e, bom tino para negócios, referência de cafeicultura, pecuária leiteira e de corte na região sudoeste de Minas Gerais. O largo círculo de amizades que conquistou, o levou a dedicar-se à política. Foi, em Ibiraci, vereador e, após, prefeito.
Os filhos cresceram. Visando garantir-lhes escola adequada – o filho Paulo se lembrou da determinação de seu pai e sua mãe em que todos seguissem seus estudos até à universidade – vendeu propriedades e mudou-se, com todos, para Franca. Sem deixar seu ramo de atividade – adquiriu fazendas, a São Tarcísio,uma delas) dedicou-se, em Franca, a conquistar novas amizades, e elas aconteceram em profusão. O professor e escritor Luiz Cruz de Oliveira, que se tornou próximo a Mário por trabalhar na agência do Banco de Brasil em Cássia (MG) e o auxiliar nos levantamentos financeiros necessários a seus negócios, conta sempre – e o faz novamente hoje, em texto nesta página – sobre a filosofia do agropecuarista em ‘fazer amigos novos, estivesse onde estivesse”.
Algum tempo após chegar a Franca, candidatou-se e se tornou presidente da Associação Atlética Francana. Fez valer seu jeito mineiro ao fechar parcerias para o clube e escreveu seu nome na lista dos entusiastas que trabalharam para que o clube continuasse vivo e presente na vida da comunidade. Também candidatou-se à vereança, mas não logrou eleger-se.
Adquiriu propriedades rurais em Tocantins e Goiás, continuando a trabalhar até que a idade e problemas físicos o impedissem. Seu velório, realizado ontem no São Vicente de Paulo, recebeu gente de vasta região. A bandeira da A.A. Francana foi colocada sobre o caixão, em homenagem póstuma do clube a seu ex-presidente. Segundo sua família, a ex-prefeita de Ibiraci, Maria Aparecida Hermógenes de Freitas, falou na ocasião – dentre vários amigos que também usaram da palavra – traçando o perfil do homem simples, bem humorado, sempre trabalhador e determinado que Ibiraci, Franca e a agropecuária regional perderam. O sepultamento aconteceu às 14 horas, no Cemitério da Saudade.
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MÁRIO DEL BIANCO
Certa vez encontrei o Mário, a quem não via há anos, lá na Estação, no salão do barbeiro Arlindo. O bate-papo me revelou que ele se fora de Franca, estava morando em fazenda no interior de Tocantins.
Ponderei-lhe que deveria encerrar o ciclo de lutas e de trabalhos, que não precisava mais disso, que deveria voltar para Ibiraci ou para Franca, onde moravam todos os seus amigos.
– Amigo a gente arranja em toda parte, Cruz.
Realmente. O Mário era capaz de arranjar amigo onde quer que chegasse. Era dom seu.
Ficou amigo de todos os funcionários do Banco do Brasil de Cássia, onde o conheci. Elegeu-se prefeito de Ibiraci e, deixando Minas Gerais, veio para Franca e logo se tornou presidente da Associação Atlética Francana.
Nunca desarreou seu modo humilde de roceiro, a sua característica de mineiro humilde e afável. Com tais roupagens, trabalhou muito, viajou por vários países.
Era assim.
Assim o conheci, assim ele continuava, quando nos despedimos pela derradeira vez.
Luiz Cruz de Oliveira, escritor