Há uma década era inaugurado em Franca um espaço para que crianças e jovens pudessem conhecer o universo musical e aprender a cantar e tocar instrumentos sem ter que pagar por isso. Com dez anos, o Projeto Guri de Franca é hoje um dos maiores do Estado em número de atendimento. São 500 menores com idades entre 6 e 18 anos atendidos em mais de 10 cursos. Para marcar o aniversário, a organização preparou uma apresentação especial para a noite desta terça-feira, que lotou o salão do Castelinho.
O polo do projeto em Franca nasceu com pouco mais de 200 vagas apenas para os cursos de orquestra. “Nesta época só funcionávamos duas vezes por semana. Hoje crescemos e atendemos todos os dias”, disse Marina Souza, supervisora do polo de Franca e que acompanhou todo o desenvolvimento do projeto na cidade.
Atualmente, o polo tem capacidade para atender 560 crianças, 500 já estão inscritas. “Ainda temos vagas remanescentes. Abrimos inscrições sempre no começo e no meio do ano. A procura tem aumentado a cada ano”, disse Marina.
Na cidade, o Guri oferece aulas de coral, cordas agudas, cordas graves, madeiras, metais, cavaco, teclado, percussão, bateria, piano, viola caipira e violão. Podem participar das aulas crianças que tenham de 6 a 18 anos. “Para isso, basta que elas se inscrevam no curso de seu interesse. A convocação é feita por ordem de inscrição. Não há discriminação quanto à condição social do aluno.”
Em dez anos de funcionamento, a instituição coleciona histórias de sucesso. Uma delas é a do hoje professor de música Samuel Eduardo da Silva, de 20 anos.
Ele se apaixonou cedo pelo violão. Com nove anos, já tocava para os amigos, mas não tinha conhecimento técnico. “Quando soube que havia o Guri, corri logo para me inscrever”, conta. Ele foi um dos selecionados e, por dois anos, estudou no projeto. “Não faltava às aulas.”
Com a experiência acumulada, resolveu aprofundar os estudos em Ribeirão Preto. “Já sabia que queria ganhar a vida trabalhando com a música. O Guri me fez ter certeza disso. Então viajei, me aperfeiçoei e hoje dou aulas no projeto aqui em Franca mesmo.”
Para Samuel, se não fossem a visão profissional e a noção de responsabilidade que o Guri lhe ensinou, ele dificilmente conseguiria ser um músico profissional. “O Guri mudou a minha vida.”