Ela é dez metros menor que o projeto original e ainda assim impressiona pelo seu tamanho e magnitude no Centro de Franca. Construída com autorização do cônego Cândido Martins da Silveira Rosa, o monsenhor Rosa, a Catedral Nossa Senhora da Conceição inicia no próximo dia 8 as comemorações do seu primeiro centenário. Além de ser o dia da padroeira da cidade, foi nessa data, no ano de 1913, que ocorreu a primeira missa na nova Matriz de Franca.
A construção, pomposa para aquela época, começou por volta de 1900 e só foi concluída na década de 40, quando assumiu a atual configuração. O projeto inicial do arquiteto Joaquim Mariano de Amorim Carrão não contemplava as duas torres menores e a colocação da santa no meio da torre principal.
Um dos principais cartões postais da cidade, o templo foi construído para acompanhar o desenvolvimento de Franca no início do século XX. “A antiga Matriz estava velha, pois era de pau a pique e já não comportava mais a comunidade. Era uma igreja antiga para uma cidade em crescimento”, disse o historiador José Chiachiri Filho. Segundo ele, na época Franca tinha cerca de 20 mil habitantes.
Construída em estilo neogótico, a igreja possui 1.062 metros quadrados e 60 metros de altura. O modelo, de acordo com Chiachiri, foi inspirado na Catedral de Colônia na Alemanha. “Ela é um monumento bonito, majestoso e que foi construído em etapas. Começou com o arquiteto Carrão e terminou com o construtor Zamboni.”
Nesses quase cem anos, assumiu três diferentes cores até voltar à cor original (azul claro), que ainda é mantida. Sofreu pequenas mudanças internas, com a retirada de altares laterais e a construção de novos nichos, mas a principal interferência ocorreu com a colocação das colunas dentro da igreja. De acordo com registros históricos, elas não faziam parte do projeto original (leia matéria nesta página).
Inicialmente administrada pelos padres agostinianos, em 1971 a então Matriz se torna Catedral com a criação da Diocese de Franca e a nomeação de seu primeiro bispo, agora emérito, dom Diógenes Silva Matthes, e passa a ser dirigida pelos padres diocesanos. Em 41 anos de diocese e da transformação de Matriz em Catedral, a igreja teve cinco párocos, incluindo o atual, José Geraldo Segantin, que em janeiro completará 21 anos no cargo (veja lista completa dos padres no quadro da página seguinte).
POR QUE CATEDRAL?
“A antiga Matriz é chamada de Catedral porque lá existe a cátedra, que é a cadeira do bispo. Ela também é a igreja mãe da diocese”, disse o bispo emérito dom Diógenes. Segundo ele, a construção da igreja impressiona tanto por fora como por dentro. “É uma igreja linda que admirei muito quando vi pela primeira vez. Antes de ser bispo já tinha vindo a Franca para uma palestra e vi a igreja por fora. Achei linda. Depois, na posse, a conheci por dentro e foi uma soma de belezas. Ela é uma igreja querida e que foi muito pensada.”
Com três missas diárias de terça a sexta-feira e cinco aos domingos, a Catedral recebe por dia cerca de mil pessoas, entre celebrações e visitação. Movimento esse que é maior aos fins de semana e datas festivas. “O entra e sai é constante e a Catedral sempre recebe momentos importantes, como a Cruz da Juventude, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, imagem da Mãe Rainha e Rosa Mística”, disse o padre José Geraldo.
Em seu interior há 47 imagens de santos e relíquias de Santa Gianna, relíquia de santo frei Galvão e relíquia da Terra Santa. Além disso, a imagem de Nossa Senhora da Conceição fixada no altar é francesa, feita em madeira, pano e o cabelo em algodão. “Minha vida está aqui. Me vejo vivo dentro da Catedral. Aqui tenho impulso para minha vida pessoal e sacerdotal”, resumiu o padre sobre a importância da Catedral em sua vida.
CENTENÁRIO
Começou no último dia 29 de novembro a novena em preparação ao dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Franca. Até o dia 8, data solene dedicada à santa, haverá celebrações com a presença de bispos e arcebispos de diferentes localidades do País. Entre eles o arcebispo de Niterói-RJ, dom José Francisco Rezende Dias, o bispo auxiliar de São Paulo, dom Edmar Peron, e o arcebispo de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto.
Já no dia 8, sábado, celebrará a missa solene das 19 horas o ex-bispo de Franca e agora bispo de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini. A missa marcará também o início das celebrações de cem anos da Catedral.
Antes, no mesmo dia, haverá alvorada a partir das 6 horas, missas às 7 e 10 horas e Tarde Mariana às 15 horas.