10 de julho de 2026

‘Ela poderia ter se aposentado, mas preferiu lutar’, diz diretor


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No recreio, é cercada por alunos, a quem dá conselhos e ajuda no reforço escolar

No próximo dia 5, a professora Rosiléia Borges vai completar três meses de trabalho na Escola Estadual “José dos Reis Miranda Filho”, na Vila Santa Maria do Carmo. Léia tem contato com os 500 alunos, do 2º ao 5º ano, que estudam na instituição. Do total, 21 são deficientes. Para o diretor da escola, Marcos Antônio Pereira do Amaral, a presença da professora na escola e os trabalhos que ela realiza proporcionam ganhos para a comunidade escolar pelo grande exemplo de superação e motivação.

“O aluno vê a força de vontade dela, porque ela não parou. Normalmente, a gente, por bem menos, desiste das coisas da vida. É um obstáculo grande que ela enfrenta, mas ela não desistiu. Os nossos alunos da inclusão também se sentem mais capazes e começam a pensar que, como ela, podem superar as limitações.”

Marcos havia trabalhado com Léia no Cefam (Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério) antes do acidente, conhecia seu lado profissional e quis tê-la em sua equipe. “A instituição já tem uma marca de fazer inclusão. Já temos alunos com síndrome de Down, deficientes físicos e auditivos. Acho que para fechar o ciclo precisávamos também de uma profissional de inclusão na docência da escola”, disse.

Marcos ajudou a intermediar a vinda de Léia para Franca porque o cargo de readaptação dela era em Campinas. “A Léia poderia muito bem ter se aposentado por invalidez, qualquer um faria isso, mas preferiu lutar. Ela é muito esforçada.”

A aluna Ana Júlia de Queirós, de 9 anos, elogia a capacidade de superação da professora. “A gente não pode ver as pessoas na cadeira de rodas e ficar zoando, porque isso pode acontecer e a gente tem que compreender. Acho que ela consegue fazer muitas coisas mesmo na cadeira e isso é um exemplo.”