A Globo exibe, no horário nobre, a novela Salve Jorge, ambientada na Capadócia, região turca de grande beleza natural, com a proposta de enfatizar o grave e internacional problema do tráfico e prostituição de mulheres. O que, todavia, julgamos conveniente ressaltar nestas considerações é a questão tratada em matéria publicada no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, edição de 23 último, a respeito do trabalho da escritora e novelista Glória Perez, informando que há um movimento de protesto pela Internet, liderado por evangélicos, contra a novela que ‘vai adorar um ‘ogum’, entidade que dizem espírita.”
Informa ainda, a referida matéria, que ‘a maioria dos protestos vem do site exercitouniversal.com.br, formado por fiéis da Universal’ e que ‘o próprio líder daquela igreja, o bispo Edir Macedo, faz campanha em seu blog contra a nova novela da Globo’ com o propósito de boicotá-la, negando-lhe audiência.
Evidentemente que tanto os líderes da Igreja Universal, quanto seus seguidores, têm todo o direito de recusar a aceitar o que entendem conflitante com sua fé.
O que, porém, chama a atenção é que, para negar conceitos de outras religiões, seja por desconhecimento, seja por má-fé, confundem conceitos diferentes de doutrinas diferentes.
Os espíritas, assim como não usam imagens, rituais, velas, incenso, vestuário especial e nada que diga respeito a culto externo, também não reverenciam nem prestam culto a São Jorge ou ogum, ou a quaisquer outras entidades espirituais, sem, contudo, questionar-lhes as virtudes. Daí a expressão ‘ogum, identificado como entidade espírita’, e cujo culto implicaria negar Jesus, como pretendeu evidenciar o referido manifesto, não dizer respeito aos conceitos da Doutrina Espírita, tal como ditada pelos Luminares Espirituais e codificada por Allan Kardec.
Respeitamos aqueles que exercitam o culto externo, considerando-o uma questão de foro íntimo, de cada um, mas, não se pratica e nem se recomenda seja ele praticado entre as atividades próprias da Doutrina Espírita.
Esclareça-se que a novela não aborda temática criteriosamente espírita, todavia, admite-se que a autora possa incluir mediunidade no seu enredo, mas, convém lembrar que mediunidade não é propriedade do Espiritismo.
Essa faculdade existe desde que existe o homem. Veja-se Moisés, ao receber os Dez Mandamentos no Monte Sinai, significativo acontecimento mediúnico que se deu muito antes do advento desta doutrina.
Quanto a crer em Jesus, ou ser o Espiritismo cristão, todos os homens de boa vontade disso já se convenceram, como convencidos estão de que o que os espíritas desejam mesmo é que seja o Cristo de Deus entronizado em todos os corações.
O Evangelho do Mestre é revivescido pelos Instrutores Espirituais em toda a extensão doutrinária espírita e, na questão 625 da obra básica da Doutrina Espírita, denominada O Livro dos Espíritos, Jesus é referido como o ‘Guia e Modelo’ da Humanidade, porquanto a exortar-nos, sobretudo, ao amor e à caridade.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, direitor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca