08 de julho de 2026

Fim de dia


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Casebres caiados
banhados pela luz morredoura
de um sol que se dilui no horizonte.

Crianças correndo
pela rua poeirenta
despreocupadas da vida.

Pés descalços,
cabelos desgrenhados,
despedidas dos dentes-de-leite.

Umas poucas peças de roupa
balançam molemente
num varal frouxo, ao fundo do quintal.

Nas cozinhas, as mães catam o feijão
pensando no custo de vida
e na novela das nove.

Um som distante, quase inaudível,
anuncia fim de expediente
na fábrica distante.

Um suarento vendedor de picolés
passa pela vila com seu carrinho,
acionando a buzina rouca e melancólica.

Em pouco tempo um exército de pais
surge lá no início da rua,
carregando cansaço e esperanças.

Num instante pais, mães e crianças
estão em torno à mesa
com suas histórias do dia.

Um jantarzinho singelo
aquece os estômagos e os corações.
Em seguida um cafezinho, a guisa de sobremesa.

Quando todos apóiam as cabeças,
enfim, sobre seus travesseiros,
ninguém tem dúvidas do que seja a felicidade.