O desaparecimento do pintor desempregado Renato Borges da Penha, 42, que morava no Jardim Aeroporto III, teve um desfecho trágico na tarde de quarta-feira. O corpo do homem foi encontrado nos fundos do Jardim Santa Bárbara, em decomposição. A polícia não soube precisar se a morte foi provocada por violência ou causas naturais e aguarda os laudos do IML de Franca para instaurar inquérito. Um braço da vítima estava a cerca dez metros. O crânio, um pouco mais perto. A família fez o reconhecimento na manhã de ontem. Esse foi o segundo corpo localizado pela polícia nesta semana (leia texto nesta página).
Segundo a Polícia Civil, o pintor desapareceu na noite do último dia 16. A ocorrência foi registrada no 4º DP pelo atendente Dionata Moisés Silva da Penha, 18, sobrinho da vítima. Renato era alcoólatra, segundo familiares, e há tempos estava desempregado. Saía de casa e não retornava, mas os parentes sempre eram avisados.
Na tarde de quarta, o cadáver foi encontrado por um funcionário da Fazenda Santana debaixo de uma árvore em meio a uma plantação de soja. A testemunha avisou o patrão, que acionou a polícia em seguida. O local é de difícil acesso e fica a cerca de três quilômetros do Jardim Santa Bárbara. “O corpo estava em adiantado estado de decomposição. Inclusive, não dava para precisar nem as cores das vestes. Somente a perícia poderá afirmar o que aconteceu”, disse o soldado Marques, da Polícia Militar.
Em função da situação do corpo, não foi possível averiguar se havia ferimentos provocados por algum tipo de arma. Os policiais acreditam que o braço e o crânio separados do cadáver sejam resultado da ação de animais, mas evitaram fazer afirmações.
Com base nas características da calça, do cinto, das botinas pretas e das mãos, familiares conseguiram identificar o corpo no IML. “Ele tinha o hábito de pescar no rio que passa aqui no fundo, mas não vinha sozinho. Não sei o que possa ter acontecido. Maldade com ele ninguém tinha. De repente pode ser a bebida. Ele gostava de beber”, disse a afilhada Ednéia Souza.
Agentes da Polícia Científica estiveram no local e coletaram informações. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. O caso foi registrado no Plantão Policial e caberá aos policiais do 4º DP apurar o que aconteceu. Os parentes disseram que a vítima nunca foi presa. Quando bebia, tornava-se agressiva e, às vezes, a PM precisava intervir.
Penha era separado e deixou um casal de filhos: um de 16 e outro de 18 anos. Ele morava em um cômodo de fundo, com a mãe. O corpo foi brevemente velado no municipal do Cemitério Santo Agostinho e enterrado no local por volta das 16h30 de ontem, com serviços da Funerária Nova Franca.