09 de julho de 2026

O fim do mundo


| Tempo de leitura: 4 min

Aproxima-se o 21 de dezembro previsto pelos maias como data do ‘fim do mundo’, mas não se assuste. Cientificamente falando, não há nada que endosse a possibilidade. Só espiritualmente

Contida em pedra entalhada por volta do ano 670 e encontrada em Tortuguero, no México, a previsão tem embalado pensamentos catastrofistas desde 1958, quando veio à luz. O povo maia é reconhecido como estudioso do tempo e as medições que fizeram são consideradas, até hoje, extremamente bem feitas. Segundo diz o pesquisador Sven Gronemeyer, da Universidade de Trobe, Austrália, há, nas pedras esculpidas – as ‘estelas’ – indicações de datas para centenas, milhares de anos no futuro, mas nada que permita afirmar que ‘previram’ o fim do mundo para o próximo 21 de dezembro. A opinião é apoiada por Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade do México. Segundo ele, não há, como se diz por ai, anúncio de tragédia.

Estes e outros especialistas se reuniram recentemente no México para entrar fundo da questão da previsão. Por todo o mundo, e já faz tempo, filmes, livros, crentes e descrentes têm se encarregado de manter o assunto vivo. As redes sociais, conforme a data se aproxima, se colha de número crescente de comentários.

Há gente estocando alimentos, se mudando para locais altos, despedindo-se de parentes. Grupos religiosos pregam preparação adequada à espera do ‘fim’ e do ‘reencontro com Deus’. Místicos, e é ai que reside o perigo, pregam obediência cega. (É preciso lembrar de casos trágicos como o suicídio de 914 integrantes do Templo do Povo do reverendo Jim Jones, na Guiana, em 1978, ano em que, se dizia, o mundo iria acabar; ou o da morte de 30 pessoas que beberam álcool industrial estimulados pelo reverendo Ramon Morales, no México, 1991; das 70 pessoas que morreram em incêndio no templo da seita Ramo Davidiano, de David Koresch, Estados Unidos, 1994; ou dos 56 que se suicidaram ou foram mortos em ritual da Ordem do Templo Solar na Suíça e no Canadá, 1995; dos 39 da Seita do Paraíso que decidiram se matar sob a liderança de Marshall Applewite, que pregava que morrendo aqui, se reencontrariam na cauda do cometa Halley-Bope, em direção a uma vida melhor, em 1997). Na base desses destemperos, o ‘fim do mundo’ está próximo,
ou, ‘mil chegará, dois mil não passará’.

Agora, é o calendário maia. Para a escritora e jornalista Laura Castellanos - que também esteve no encontro - , em ocasiões assim pessoas se desarticulam por causa de crises ideológicas, religiosas e sociais. Os maias, em essência, não falariam de “fim do mundo por que não tinham visão apocalíptica. Ao contrário. Pregavam renascimento, o que permite dizer que definiram a data para sinalizar um tempo onde se iniciaria uma nova humanidade, mais equitativa.”

Ai está. Não vale, então, sair por ai comprando o que der na veneta como têm feito os personagens Katia e Ernani, de Alinne Morais e Danton Mello, na minissérie Como aproveitar o Fim do Mundo que a Globo vem mostrando. Aliás, economistas e especialistas em direito do consumidor – o articulista deste Comércio, Denilson Carvalho, dentre esses – estão roucos de gritar para ninguém fazer dívidas novas utilizando o décimo-terceiro salário que, primeira parcela, deve ser paga semana que vem. Quitar dívidas já vencidas e não dar passos maiores que as pernas são os grandes conselhos.

Podem ter certeza: o mundo vai continuar. Aspire profundamente os ares de renascimento previstos pelos maias para 21 de dezembro. Depois, dia 25, Natal, celebre o renascimento de Cristo, este sim, o único que sabe até quando vamos. O retorno dele atesta que os matemáticos maias acertaram em falar de renascimento e renovação em dezembro. Erraram só por quatro dias...

FEIRA DA FRATERNIDADE
Continua. até amanhã. a Feira da Fraternidade, no Parque Fernando Costa. Entidades filantrópicas francanas têm o evento como fonte de recursos anuais para várias de suas atividades. Joaquim Pedro Sobrinho, da Associação Amigos do Bairro São José, falou ao GCN e, divertido, mostrou quais as ‘chamadas’ treinadas por seus voluntários na barraca de calçados que monta lá há 34 anos: ‘sapato pra homem, criança e muié (sic), é aqui onde você compra um e leva dois pé (sic)’. E mais uma: ‘se não for de seu agrado, compra do vizinho do lado que a gente não fica zangado’.

ORAÇÃO
O prefeito Sidnei Rocha, em recuperação de intervenção nas cordas vocais, não tem comparecido a eventos. Não foi ao acionamento do ‘Natal de Luz’ – anualmente, tem sido ele a ‘ligar’ quase um milhão de micro-lâmpadas que transformam o prédio do Champagnat e seu jardim fronteiriço no principal cartão de Natal da cidade. Seus sempre aguardados discursos continuarão silenciados por mais um tempo. Alexandre Ferreira, prefeito eleito, foi quem se manifestou – e bem – no Champagnat. Ao final, pediu: ‘orem por ele’.

SÁTIRO
O médico cardiologista Sátiro Rodrigues Alves fez aniversário ontem. É um profissional à antiga, daqueles que ‘fabricam’ tempo para conversar com seus pacientes. Continuou o mesmo cidadão calmo, disponível e presente mesmo após todo o sucesso que alcançou no exercício de sua atividade. Registro e o cumprimento.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br