07 de julho de 2026

‘A gente constrói e acaba assim’


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O imóvel que abrigou a fábrica Calçados Soberano é amplo. A entrada principal fica na rua Evangelista de Lima. O prédio comportava uma fábrica de calçados (ACR Moreira/Canterbury), uma de palmilhas (Palm Center e Qualiflex) e um depósito da Leite Letti. Os proprietários e funcionários das empresas ficaram entristecidos e inconformados com a destruição provocada pelo incêndio.

Edna Massumoto ficou desolada ao parar na esquina das ruas José de Alencar e Torquato Caleiro e ver as chamas destruir o ganha-pão da família. Ela é proprietária da fábrica de palmilhas.

Na noite de quarta-feira, ela ligou para vários conhecidos em busca de consolo. Chegou a se sentar na calçada e chorou enquanto olhava o barracão sendo consumido pelo fogo. “É um sentimento de perda total. É algo que a gente constrói e de repente acaba assim. É meu sustento, essa empresa é a menina dos olhos da família”, disse ela, aos prantos. Edna tem o marido, Jorge Massumoto, como sócio.

As empresas já tiveram sede em outros bairros, como Jardim Guanabara e Parque Progresso, e nos últimos seis anos alugava o prédio na Vila Nicácio.

Ontem pela manhã funcionários chegaram para trabalhar e encontraram as empresas destruídas. A auxiliar de planejamento Vanessa Santos, 28, é uma das 80 contratadas da fábrica de calçados e soube na noite de quarta-feira do incêndio após uma colega de trabalho lhe telefonar. Ela esteve na porta da empresa em solidariedade aos proprietários nesta quinta-feira. “É péssimo tudo que está acontecendo, é como se fosse sua casa pegando fogo. Mas penso que vamos reerguer muito logo, se Deus quiser.”