10 de julho de 2026

Empresas incendiadas na Vila Nicácio calculam prejuízos


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Na manhã de ontem, bombeiros faziam o rescaldo no galpão incendiado

O cheiro forte de fumaça se espalhou por diversos pontos de Franca após o incêndio que destruiu o prédio da antiga fábrica Calçados Soberano, na Vila Nicácio, na noite de quarta-feira, 21. Ainda ontem o fedor era sentido pela população. No local funcionavam uma fábrica de calçados, uma de palmilhas e um depósito de leite.

O fogo começou por volta das 21 horas e só foi controlado por completo após 16 horas de trabalho. O capitão Marcelino Patrício dos Santos, comandante do Corpo de Bombeiros de Franca, disse que as chamas maiores só foram controladas à 1h30 da madrugada e os outros focos menores às 13 horas de ontem. Foram necessários 120 mil litros de água para o combate. Suspeita-se que um curto-circuito numa máquina tenha causado o incêndio.

A movimentação no imóvel e imediações foi intensa desde as primeiras horas do sinistro. A rua Evangelista de Lima permaneceu interditada durante toda a manhã de quinta-feira. Na noite de anteontem, as ruas José de Alencar, Torquato Caleiro e Diogo Feijó também tiveram o trânsito interrompido e a aglomeração de populares foi grande.

Enquanto os bombeiros trabalhavam para controlar completamente os focos de incêndio no interior do galpão, do lado de fora, os proprietários das empresas lamentavam as perdas e contabilizavam os prejuízos. As empresas de calçados e palmilhas têm seguros. A força que os empresários encontraram para lidar com as perdas foi reforçada pela grande rede de solidariedade que se formou desde o início do fogo.

Jorge Massumoto é proprietário da empresa de palmilhas - Qualiflex e Palm Center - que emprega 60 funcionários e produz de 12 mil a 15 mil pares de palmilhas por dia. Funcionários trabalhavam à noite quando o incêndio atingiu a área de produção. Jorge disse que ficou surpreso com o apoio que recebeu da comunidade e que a batalha agora é para evitar demissões e conseguir atender os pedidos dos clientes para o fim de ano. “Felizmente temos uma empresa que se relaciona bem com as outras, então todo mundo está nos apoiando e nossos concorrentes nos ofereceram espaço para produzirmos e não deixarmos nossos clientes na mão.”

Ontem, o empresário ainda não havia conseguido calcular os prejuízos, mas disse que tinha cerca de 40 máquinas na fábrica, sendo que uma delas estava avaliada em R$ 200 mil. As chamas destruíram todo maquinário, materiais e produtos. “Perdemos 100%, mas já acionamos a seguradora e vamos lutar para recomeçar.”

O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, promete assessorar as empresas incendiadas. Ele esteve no prédio ontem pela manhã. “Foi algo lamentável. Estamos aqui para prestar nossa solidariedade e orientar os empresários e funcionários do ponto de vista jurídico e para auxiliar na montagem de novas empresas e nas questões de segurança.”

UNIDOS
Desde a noite do incêndio, a comunidade se mobilizou para ajudar no combate às chamas e salvar mercadorias e os móveis das casas vizinhas ao prédio das fábricas. Bombeiros que estavam de férias ou folga e também aposentados se uniram à equipe de 28 homens da Corporação para liquidar o fogo.

Entre as mãos solidárias estavam as do ator da Globo, Rodrigo Andrade, que é francano e logo que avistou o incêndio se uniu aos combatentes - ele estava na casa de parentes. Ele ajudou na retirada dos produtos de uma das empresas sinistradas. Rodrigo está em Franca passando férias até o Natal na casa de familiares.

A equipe da Escola Infantil Pimpolhos, que fica num prédio aos fundos do imóvel queimado, também contou com ajuda dos moradores e pessoas que estavam no local. Um mutirão foi formado para retirar do imóvel computadores, móveis, documentos, estantes, cadeirinhas e mantimentos. Até caixas de leite e cebolas foram amontoadas na rua. Uma vizinha emprestou a casa para abrigar os objetos da escola. As aulas estão suspensas até segunda.

Os proprietários da fábrica de calçados, que são donos do prédio, estavam muito abalados com o acontecido e não quiseram dar entrevistas. Cerca de 80 pessoas trabalham na fábrica.

A empresa Leite Letti alugava uma área do prédio para depósito, mas no momento do incêndio não possuía produtos estocados. Ontem conseguiu outro local com câmera fria para armazenagem diária de cerca de dois mil litros de leite - em saquinhos e garrafas - na cidade.

SEM ÁGUA
Na noite do incêndio, os Bombeiros tiveram dificuldades para conseguir água, o que revoltou muitos moradores. Prefeitura, Sabesp e usinas da região reforçaram os estoques. Capitão Marcelino alega que o trabalho não foi comprometido. “O incêndio foi uma exceção, pelas proporções que teve, o horário em que aconteceu e a localização, mas conseguimos dar uma resposta satisfatória a partir do momento que o fogo não passou para as casas e não houve vítimas graves.” Uma funcionária queimou parte do rosto, mas passa bem (leia apoio).