Depois de enfrentar duras críticas e a abertura de uma investigação por parte do Ministério Público, a direção da Santa Casa de Franca decidiu colocar um ponto final na polêmica envolvendo o aluguel do prédio da CTBC na avenida Presidente Vargas. O presidente do complexo hospitalar, Luís Aurélio Prior, anunciou ontem a devolução do imóvel.
O prédio de 4 mil metros quadrados estava alugado desde agosto por R$ 40 mil. A locação foi alvo de críticas até do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). A Santa Casa enfrenta uma crise financeira que se arrasta ao longo dos últimos anos e acumula uma dívida estimada na casa dos R$ 60 milhões. O déficit mensal do hospital gira em torno de R$ 2,5 milhões.
Nessa quinta-feira, o presidente da instituição e representantes da CTBC se reuniram pela manhã para acertar os últimos detalhes para a dissolução do contrato. “Chegamos à conclusão de que não valia a pena manter esse aluguel por causa do desgaste da imagem da instituição e da empresa”, disse Prior.
Ele afirmou que o negócio será desfeito sem custos para a instituição. “O pessoal da CTBC entendeu nossa situação e não vai cobrar nada por conta da devolução”, disse o presidente.
A Santa Casa de Franca deve deixar o prédio até o final de janeiro. “Agora precisamos reformar o imóvel para onde vamos nos mudar e resolver as questões administrativas.” No prédio, funciona toda a administração do hospital, havia também a intenção de transferir o plano de saúde e o telemarketing do Hospital do Câncer.
A administração deve se mudar para um prédio da própria Santa Casa, no Centro, ao lado do Museu Histórico Municipal. “É um prédio bem menor, com apenas 700 metros quadrados. Mas vamos nos adequar”, disse Prior.
O prédio administrativo que funcionava antes do aluguel do imóvel da CTBC não pode voltar a ser ocupado porque está em reforma para abrigar consultórios médicos. “Não temos como voltar atrás. Vamos manter a reforma para aumentar o espaço de leitos no hospital, já que os consultórios serão transferidos.”
O presidente da Santa Casa disse que o pagamento do aluguel continua até janeiro. “Estamos contando com a ajuda de um grupo de empresários da cidade.”
Segundo Prior, com a devolução e as demissões de alguns diretores e assessores, a economia mensal deve chegar à casa dos R$ 100 mil.